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Racismo é coisa séria. Das mais sérias das coisas sérias. O racismo não é para brincar, é para combater, sem tréguas.
Racismo é uma coisa. Dois jogadores de futebol a trocarem insultos e provocações no decurso de um jogo de futebol, é outra. É por isso que Vinícius Jr, o talentoso jogador brasileiro do Real Madrid, na passada terça-feira, no Estádio da Luz, brincou com o racismo.
As provocações - a adversários, ao público, e até aos colegas e treinadores - que esse jogador recorrentemente repete nos mais diversos estádios, e a forma de estar (em campo) em gozo, chacota e falta de respeito, não decorrem de qualquer característica rácica. Decorrem apenas do seu carácter, do seu desprezo pelos valores do desporto e, em última análise, da sua (falta de) educação.
A reacção - de adversários, do público - a essas provocações, e a essa forma de estar em campo, pode expressar conteúdos racistas?
Pode, não o nego. Mas nem sempre!
Ao contrário do que sucede na reacção do público, ninguém sabe o que Prestiani, um puto argentino de 19 anos, realmente disse ao Vinícius na terça-feira à noite, depois do golo do brasileiro. Alguma coisa foi. O miúdo não diz se lhe chamou "filho da puta", "cabrão", "filho de um corno", "maricas" (essa também seria complicada!) ... Sabe-se que o galáctico brasileiro correu para o árbitro a denunciar ter sido o proibido "mono". E que Mbappé, o seu galáctico colega, no fim do jogo, veio dizer que ouviu a palavra proibida repetida cinco vezes. Mesmo que não haja imagens que mostrem que alguma vez ele possa ter estado em condições de as poder ouvir.
E sabe-se que, por cá, bem como pelo mundo fora, não só ninguém dá o benefício da dúvida ao miúdo argentino, como decidiram - todos - que a razão por que ninguém sabe o que ele disse, é a mesma que os leva a garantir o que disse. Porque tapou a boca - como se houvesse alguém num campo de futebol que fale sem esconder a boca -, com a camisola, e não há registo sonoro, não se sabe o que disse; pela mesmíssima razão não há dúvida sobre o que disse!
Por amor de Deus: racismo é coisa séria. Que meninos mimados, que ganham largas dezenas de milhões de euros por ano, e vivem em torres de marfim, se aproveitem dele para os seus caprichos é um insulto a todas as verdadeiras vítimas de racismo que sofrem pelo mundo fora.
O racismo não releva pela cor da pele de gente bem situada na vida, Ele pode existir quando ao virar de uma esquina se vê uma criança de mão estendida a pedir mão e não há que pare por momentos para atender a criança, quando um quarteirão mais á frente todos acham graças quando meninos bem vestidos andar a jogar a bola não com bexiga de porco mas ao chutos num bocado de pão enrolado em meia de marca fina,
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