Por Eduardo Louro
A semana passada foi rica em polémicas, valha-nos isso. Começou com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa (no seu espaço de domingo na TVI) à volta da alteração dos Estatutos do Partido Socialista, passou pela reacção de António José Seguro, primeiro e erradamente, e do staff socialista, depois, e acabou no colossal lapso do ministro das finanças – Vítor Gaspar, a quem começam a crescer pés de barro – a propósito da reposição dos subsídios de férias e Natal, depois dos lapsos – ou bem pior que isso – do primeiro-ministro: Passos Coelho.
É a primeira que agora aqui trago.
Seguro reagiu ao comentário de Marcelo, que o acusara, no mínimo, de golpista e oportunista. Não importa agora se as acusações se justificavam ou não. Nem sequer que Seguro se tenha espalhado ao responder directamente. Nem mesmo que o tenha feito por julgar que já nem tem tropas para responder a comentadores. Que afinal ainda tinha, embora possam ter demorado a reunir!
Desde logo se ficou a saber que Marcelo não responderia se não no domingo seguinte – hoje mesmo – de novo seu espaço da TVI. Claro, os interesses comerciais são para levar a sério!
Hoje as audiências do Jornal Nacional devem ter aumentado, mesmo com eventuais regressos de Páscoa. Eu, que nem sou cliente, lá estava à espera…
E o que vi foi Marcelo Rebelo de Sousa fazer mais uma das suas piruetas. Não é a primeira, nem será certamente a última!
É que a resposta que deu foi integral e exclusivamente centrada no quadro formal e jurídico da questão. Que não era o que estava de sobremaneira em causa!
Vamos por partes. Marcelo, na semana passada, colocou a questão no domínio da estratégia política pessoal de Seguro. Então, para o comentador, com a alteração estatutária à duração do mandato, Seguro pretendia garantir a sua liderança até às próximas legislativas. Passar uma rasteira a António Costa, uma cilada que o impediria de lhe disputar a liderança dentro de pouco mais de um ano. Uma questão de estratégia, quando não mesmo de carácter. Sem tirar nem pôr! Que eventualmente poderia justificar os tons da reacção do visado e dos socialistas. Mas que também se poderia justificar por inteiro à luz da análise política. Quer dizer, o comentador – livre e responsavelmente – tinha toda a legitimidade para concluir o que concluiu. E poderia até ter toda a razão do seu lado!
Hoje, para responder ao(s) ofendido(s) e fundamentar a sua razão, Marcelo mudou de campo. Não veio justificar nada do que afirmara porque jogou outro jogo, noutro tabuleiro: e isso é batota! Hoje apenas existia uma questão jurídica, à volta dos Estatutos que só podem ser alterados em congresso, com mandato expresso do congresso. Não tinha atacado Seguro por uma estratégia política pessoal e de golpismo, ou mesmo de carácter, mas tão-somente tinha denunciado uma violação dos Estatutos do PS. “Vil e miserável” – a expressão usada pelos socialistas – “é o conteúdo da situação, não sou eu”, rematou em jeito de conclusão.
Não irei tão longe para dizer que vil e miserável é manipular as coisas desta maneira. Mas sempre direi que é preciso ter descaramento!
Para utilizar uma expressão que lhe é tão cara e a que tantas vezes recorre, diria que à mulher de César não lhe basta ser séria…
Sem comentários:
Enviar um comentário