
Disputou-se no passado domingo a final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, que decorreu em França, ganha pela selecção dos Estado Unidos (2-0 à surpreendente Holanda), a mais titulada da modalidade. No final do jogo as bancadas irromperam num cântico que rapidamente saiu do Estádio e e rompeu fronteiras: "Equal pay! Equal pay! Equal pay!"
Pouco antes do início do campeonato do mundo, as jogadoras da selecção alemã, a mais titulada na Europa, tinham já lançado o movimento, com um vídeo que se tornou viral. E que a as jogadoras americanas acabaram de replicar, já depois do jogo decisivo e da erupção nas bancadas de há três dias.
Depois de conquistarem o direito a jogar à bola como os rapazes, de superarem o estereotipo das "gajas não sabem" nem têm condições para jogar à bola e, por fim, de demonstrarem, como fizeram em especial neste Mundial de França, que são capazes de produzir um jogo tão competitivo e tão espectacular como os homens, as mulheres do futebol, que há poucas semanas exigiam apenas reconhecimento - evidente no vídeo das jogadoras alemãs -, exigem agora "equal pay".
Não que lhes paguem salários iguais aos de Messi e Ronaldo, mas que paguem o jogo, que paguem o espectáculo, como pagam no futebol masculino para, depois sim, pagar às Messis e Ronaldas que por aí há, ou que por aí acabarão por surgir.
A História aqui não difere muito da do resto das actividades. Apenas andou mais depressa. Talvez por ser a última fronteira ...
Não sei se será a última fronteira, falta talvez a mais importante: reconhecer a importância social da maternidade. Permitir a uma mãe a independência financeira quando fica em casa por gestação e maternidade sem que o ónus seja da empresa ou da mulher, permitir à profissional o exercício da profissão e da maternidade em equilíbrio - reconhecerem, mulher e empresa, que aquela não poderá "fazer" tanto mas poderá "fazer" tão bem como antes.
ResponderEliminarMas esta será uma fronteira bem mais difícil - a mulher tem que começar pela sua reivindicação.
Sobre o futebol, sim, é fascinante ver como se ganhou tanto terreno em tão pouco tempo. O que apenas prova que o futebol é, sem dúvida e contra os seus detractores, a mais congregadora das actividades sociais da era moderna.
Pagamento igual vai ser difícil senão impossível. A não ser que consigam despertar no público o mesmo interesse que o futebol masculino. Noutros desportos acredito, neste parece-me muito difícil. Concordo que há uma desvalorização da maternidade e muitas mulheres contribuem para isso. Não vejo que as mulheres tenham que imitar os homens: acho que há mesmo diferenças. Lamento até as mulheres que têm muito jeito para o desporto porque isso interfere de maneira brutal com a maternidade (coisa que eu não desvalorizo).
ResponderEliminarAs mulheres são iguais aos homens em dignidade, mas têm diferenças de muito peso que devem ser respeitadas. Os homens não têm útero! No sexo são muito distintos. Etc. etc.
Socorro-me do futebolês: " o futebol é isso mesmo"!
ResponderEliminarO princípio salário igual para trabalho igual não se aplica aqui. Nem sequer no futebol masculino.
ResponderEliminarQuando/se houver equipas mistas, a questão colocar-se-á.
Parece que o clube pioneiro na matéria é mesmo o Atlético de Madrid. Agora tem lá uma menina a quem paga muito mais que aos rapazes.
ResponderEliminarEheheheheh, a Joana Felizarda
ResponderEliminarNão é isso que está em causa no texto. Mas já é habitual...
ResponderEliminar"Equal pay" não é literalmente pagamento igual. É outra a dimensão... Como é outro também o sentido do texto.
ResponderEliminarElucide-me sobre o que está em causa no texto, então...
ResponderEliminarFronteiras, meu caro. Fronteiras...
ResponderEliminarEssa é muito profunda.
ResponderEliminarDesenvolva que eu não consegui vislumbrar o tema fronteiras (reais ou psicológicas) na sua crónica.
Os três últimos parágrafos parecem-me inequívocos quanto ao assunto da crónica, mas para disfarçar e dar aos pedais, já sabemos o que a casa gasta. The usual...
Exigir "Equal Pay" nesta altura é exigir demais. É bom não esquecer que é o Futebol Masculino que sustenta muitas das outras modalidades dos clubes. Os clubes dependem muito do Futebol Masculino e é as receitas do Futebol Masculino que podem dar aos clubes possibilidades de apostar noutras modalidades ou no Futebol Feminino. Quando o futebol feminino estiver ao nível do futebol masculino aí talvez possam pensar nisso mas por enquanto acho que é presunçoso exigir isso. Ponham a melhor equipa feminina a defrontar a melhor equipa masculina para verem que ainda estão muito atrás.
ResponderEliminarEu direi mais: ponham a melhor equipa feminina a defrontar uma equipa mediana masculina e depois ... tirem conclusões.
ResponderEliminarQuase com toda a certeza que uma equipa que luta pela manutenção no nosso campeonato vencia a selecção americana e provavelmente o ordenado até é mais baixo. Acho arrogância exigirem o mesmo ordenado que os homens. Acho que isto não é serem machista é apenas ser realista.
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