A data de hoje traz-nos logo à memória os ataques terroristas às Torres Gémeas, de 2001. Ou o sangrento, e também terrorista, golpe de Pinochet, e da CIA, no Chile, em 1973. Não nos traz tanto, apesar da proximidade, o desastre ferroviário de Alcafache, em 1985.
Faz hoje 40 anos. Terão morrido 150 pessoas (na altura, como se vê na foto, houve quem avançasse com mais de 300 mortos) embora as circunstâncias do acidente, e a falta de controlo sobre o número de passageiros - viajavam nos dois comboios envolvidos (o Rápido Internacional, de complemento ao Sud Express, e o comboio regional 1324) cerca de 460 passageiros - tenham impedido uma contagem exacta do número de vítimas mortais. Os números oficiais são outros, e mantêm ainda, 49 mortos - dos quais apenas catorze foram identificados -, e 64 desaparecidos. A maior parte dos restos mortais, que não foram identificados, foi sepultada numa vala comum junto ao local do desastre.
É o mais grave acidente ferroviário da História do País. Depois de Custóias, em Julho de 1964, quando um reboque de passageiros se soltou do comboio que circulava na Linha do Porto, chocando contra um paredão, provocando 90 mortos; do descarrilamento do comboio rápido do Algarve, em Odemira, em Setembro de 1954, com 54 mortos; e do choque na estação da Póvoa de Santa Iria, em Maio de 1986, com 17 mortos; tantos quantos, dois anos antes, tinham resultado da colisão entre um autocarro e uma automotora, junto ao apeadeiro de Recarei-Sobreira, em Paredes.
Não terão entrado nas contas do André Ventura para classificar o desastre da Calçada da Glória, da semana passada, como "o terceiro pior acidente da história do país", como o Pedro Correia dava nota, num destes dias, no DO. São cinco, apenas ferroviários, e já maiores. E, para acentuar a dificuldade da relação de André Ventura com a VERDADE, e com a SERIEDADE (a dos hambúrgueres, é apenas a última) ainda faltam todos os incêndios, cheias, ciclones e acidentes de aviação. E o terramoto de 1755!
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