sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril

 


Carpediem...: O significado do cravo vermelho, 25 de Abril


Celebremos a Liberdade. A democracia. E a paz. Celebremos sempre, de coração cheio!

3 comentários:

  1. Viva o 25 de Abril. Que data bonita. Faz hoje 52 anos desde que uns militares decidiram vir para Lisboa enfiar cravos pelo cano das espingardas. Uma metáfora linda para o país em que nos tornámos: muito cravozinho na lapela, muita poesia, mas rigorosamente zero balas para resolver o que interessa.

    A grande conquista de Abril? A tão aclamada Liberdade. Antes do 25 de Abril, o português não podia abrir a boca senão ia parar a Caxias. Hoje, graças à revolução, o português tem a liberdade absoluta e incondicional de ir para a rua gritar que está a ser roubado, e o Governo tem a liberdade ainda maior de se estar completamente a cagar para ele. É brilhante.

    Mas somos livres. Livres de escolher a cada quatro anos que grupo de engravatados nos vai ao bolso para resgatar mais um banco ou injetar milhões numa companhia aérea qualquer. O fascismo era lixado, não havia eleições. Agora o assalto é feito com o nosso próprio consentimento nas urnas. É muito mais fidedigno.

    E o Estado Social? Uma maravilha. Deram-nos o SNS. Foi giro enquanto durou. Hoje, a verdadeira resistência anti-fascista, não é enfrentar a PIDE: é aguentar 16 horas na sala de espera das urgências de Santa Maria sem falecer. Mas atenção, a malta morre livre! Morre a poder fazer um tweet a insultar o Ministro da Saúde. O Salazar nunca nos daria essa alegria.

    E a habitação? Imagino o Salgueiro Maia, no Largo do Carmo, a pensar: "Estou eu aqui a arriscar o coiro para que, em 2026, esta malta possa arrendar um T0 a cair de podre na Amadora por 1200 paus". Mas prontos, pelo menos agora somos explorados por fundos de investimento americanos e nómadas digitais, que é uma coisa muito mais chique, europeia e cosmopolita do que ser explorado pelos latifundiários do Estado Novo.

    Portanto, sim, festejemos muito. Vamos para a Avenida, cantar a "Grândola, Vila Morena" de punho muito erguido, vamos chorar lágrimas de emoção a ouvir os discursos na Assembleia feitos por gajos que amanhã nos vão aumentar os impostos, e vamos comprar o cravo. Sempre fica bem na selfie do Instagram para mostrar que somos todos bué conscientes.

    25 de Abril sempre! Pelo menos enquanto o Banco Central Europeu não decidir fechar a torneira.

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  2. A grande conquista de Abril não é apenas a liberdade e a democracia. É também, e apesar de tudo - incluindo muito do que é objecto da sua crítica -, um país muito melhor que nada, mas mesmo nada, tem a ver com o que era há 52 anos.
    Se não percebe isto é, ou porque não sabe (por vivência ou por conhecimento adquirido) o que era o país; ou porque não quer perceber.

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  3. Eu percebo perfeitamente. Mas uma coisa é o "progresso inevitável do tempo" e outra coisa é a "gestão brilhante do regime". O país está muito melhor, sim. Só é pena que, com 50 anos de liberdade e fundos europeus, o nosso maior marco histórico recente seja termos passado de "pobres e analfabetos" para "licenciados que vivem em casa dos pais até aos 40". No entanto você tem razão e para celebrar os 52 anos de progresso vou ver se a minha consulta de especialidade marcada para 2029 afinal é já em 2028. Abril sempre, o bom senso é que raramente.

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