Por Eduardo Louro
Confesso que a atitude é, entre todas as expressões do futebolês já aqui trazidas, a que mais me impressiona. Serve para tudo, tudo resolve. Anda na boca de toda a gente!
A equipa perdeu? Faltou-lhe atitude! Ganhou? Que grande atitude!
Tudo se perdoa menos a falta de atitude. Tudo se exalta, mas nada o é mais que a atitude.
Então mas o que é realmente essa coisa tão virtuosa? O que é afinal a atitude?
Não sei! Confesso humildemente que não sei.
Alguma vez haveria de acontecer… pois é desta! Aviso já que ainda há outra – a mística – mas essa fica para outra altura.
Admito, mas apenas isso, que a atitude se refira à entrega dos jogadores. À forma como lutam, correm… À forma como disputam cada lance. À raça, que seria, assim e em futebolês, o rigoroso sinónimo de atitude.
Àquilo que também se chama comer a relva, uma expressão do mais puro futebolês que nada tem a ver com qualquer condição herbívora dos jogadores. Apenas mais uma metáfora que pode ajudar a perceber a atitude. Ou deixar a pele em campo, outra das bem eloquentes expressões do futebolês!
Quem é capaz de deixar a pele em campo é quem come a relva. Quem dá tudo o que tem. Quem não se poupa nem se esconde! É o jogador que dá garantias. Que faz a felicidade de qualquer treinador, que deixa tudo em campo! Dos que “saltam comigo para a selva” como disse Carlos Queiroz, ainda atordoado quando acabara de levar seis do Brasil. Uma expressão que não pegou, até porque, com tanto medo como revelou, nem ele próprio nunca chagaria a saltar.
Em Portugal, nos últimos anos e, creio eu, que pela simples razão de ganhar muitas vezes, foi-se construindo a ideia de que a atitude estava toda concentrada no FCP. Era lá que estava a fonte da eterna e inesgotável atitude. Quem lá chegasse bebia daquela fonte e pronto: ficava com atitude para dar e vender.
Esta ideia fez de tal forma percurso que viria a desembocar no mito da encarnação da atitude: o jogador à Porto!
O jogador à Porto é a própria atitude em carne e osso. Há jogadores com atitude mas há mais do que isso – há o jogador à Porto!
Há dois tipos de jogador à Porto: o autóctone, que lá se fez, naquela escola de virtudes a beber daquela fonte inesgotável de atitude, e o tipo pescada – antes de ser já o era! Que já é jogador à Porto antes de chegar ao Porto.
Quando Pinto da Costa descobre um destes jogadores á Porto, do tipo pescada, já se sabe que vai dar caldinho. Caldinho à Pinto da Costa, como o Sporting bem sabe!
Conhecemos muitos destes jogadores á Porto. Assim de repente lembro-me de Cristian Rodriguez, de Ruben Micael e, claro, de João Moutinho, que a meio da época passada Pinto da Costa declarara jogador à Porto, com as consequências conhecidas.
Do primeiro lembro-me do seu enorme carácter: já tinha assinado contrato com Pinto da Costa mas em Portugal só jogaria no Benfica. E depois foi o que se viu, sempre um modelo de elevação a referir-se ao clube que o havia libertado das trevas do banco do PSG e projectado para o futebol nacional e para a selecção do Uruguai (sol de pouca dura: uma expulsão - a que no Porto não estava habituado –, correspondente castigo e … adeus África do Sul)!
Para o Ruben Micael nem há palavras. Foi a narrativa da sua própria experiência pessoal em matéria de túneis, foi a brutal agressão do Jorge Jesus e sei lá mais o quê. A sua atitude e o seu carácter apenas não se confirmaram com mais veemência porque uma lesão o afastou dos jogos … e dos microfones. Mas já regressou, e em grande forma. Agora a manifestar os seus encantos com o novo treinador (ou treinador novo, muito novo?), coisa que não sabe fazer sem ser desagradável com o anterior, o velho, muito velho. “Fazemos exercícios que nunca fizemos” ou “treinamos com uma grande intensidade, que é uma coisa a que não estávamos habituados”, são expressões de grande atitude. De grande elevação e de grande respeito por Jesualdo Ferreira. De grande carácter mesmo!
Já o João Moutinho é um caso flagrantemente diferente. Inverso mesmo. Se no Sporting havia alguém que pudesse simbolizar a atitude era mesmo ele. Deixava a pele em campo, comia a relva, era o capitão e o símbolo. Mas assim que Pinto da Costa o leva (e, ao contrário dos outros dois, com uma espécie de aviso prévio) transformou-se por completo. E não se transformou apenas num crápula empedernido, transformou-se numa maçã podre!
Até estava a gostar do post... Até que veio a "maçã podre"!!! Dura realidade esta a do Sporting!...
ResponderEliminar"Atitude". Na minha opinião, a atitude tem a ver com a concentração competitiva e com a união da equipa, procurando atingir um objectivo comum. Poderá revelar-se na agressividade (ex: Boavista de J. Pacheco), mas é muito mais abrangente do que isso. Veja-se a selecção espanhola... Quase sem fazer faltas, é uma equipa cheia de atitude, elegendo a troca de bola como estratégia para criar espaços na defesa adversária.
Era a atitude que fazia com que Pedro Barbosa oscilasse entre um jogador de nível mundial e um pobre desgraçado que se arrastava dentro de campo...
Boa continuação de blog! Um abraço!
Não sei se era atitude o que faltava ao Pedro "Vagarosa" ou croissants que lhe sobravam! Mas, e já o disse várias vezes, foi o jogador a quem vi fazer as coisas mais fantásticas! O problemas é que era poucas vezes, sem continuidade mesmo no joga, já nem falo de regularidade. Meros fogachos, mas quando surgiam eram do melhor que se via nos campos de futebol.
EliminarSe não fosse assim também não estaria tantos anos por lá por Alvalade. Teriam arranjado maneira de o fazer chegar ao Porto! Como outra fruta podre qualquer.