Por Eduardo Louro
Quando meio país está a banhos e a outra metade a arder, os agentes de topo da nossa Justiça resolveram brindar-nos com um sem número de preciosidades. Provavelmente dispostos a mostrarem-nos que aquela história das férias judiciais não passa de um treta, e que mesmo quando todo o país está em férias eles aí estão, sempre no activo. Mais activos do que nunca!
Pena é que gente tão dinâmica, pró activa e qualificada tenha canalizado toda a sua energia para uma guerra civil que o país bem dispensava. Se tivessem colocado toda essa vasta gama de recursos consistentemente ao serviço dos superiores valores da Justiça, e em particular dos da investigação, não teríamos tantos e tantos casos que nos envergonham. Aos nosso olhos e aos do mundo… Sim, porque Maddie e Freeport, entre outros, levaram a nossa vergonha para além fronteiras. Envergonham-nos por essa Europa e por esse mundo fora!
O Procurador Geral da República (PGR) é o superior hierárquico dos procuradores do Ministério Público. Está no topo de uma hierarquia que ele próprio designa de “simulacro de hierarquia”, naquela sua célebre alusão à Rainha de Inglaterra.
Porquê? Porque a hierarquia está nessa aberração sindical. Quem manda no Ministério Público é o respectivo Sindicato. Que desrespeita, desautoriza, desafia e mina o PGR.
O principal responsável pelo que se passa no Ministério Público é o PGR. Uma responsabilidade formal mas que não se efectiva a partir de uma autoridade exercida.
Porquê? Por falta de poderes, conforme reclamava o PGR?
Não sei nem faço a mínima ideia se ao PGR faltam poderes. Mas parece-me que lhe falta coragem para utilizar os que tem. Para que quer mais poderes se não tem coragem para usar os que tem?
Esta guerra entre o Ministério Público (MP) e o PGR não é a dimensão pública de divergências ocasionais. Não é uma discussão pontual. É uma guerra civil entre um MP entrincheirado num inaceitável sindicato (para quando um sindicato dos deputados? E dos ministros?) e um PGR refém da falta de coragem política há muito instalada no país, que se verga a todos os corporativismos que lhe surjam pela frente.
Esta é uma guerra que, como os incêndios que foi deixando para segundo plano, vai destruindo o país consumindo-lhe as últimas réstias de esperança. Esta é uma guerra que permite notícias como esta do Expresso desta semana: Cândida Almeida negociou com os procuradores que queriam ouvir o primeiro-ministro – eles não levariam por diante essa ideia e, em troca, poderiam juntar as tais listas de perguntas por fazer ao despacho de arquivamento.
E nisto não se sabe para que serve o ministro da Justiça. Melhor, sabe-se que não serve para nada! É que, com tudo isto, o processo Freeport retirou ao governo toda e qualquer capacidade de intervenção na Justiça. Que continua a alimentar o lume brando em que o vai continuando a fritar. Irremediavelmente!
Olá ,
ResponderEliminarComo vai ?
Estive em Portugal, uma semana, e gostei muito. Já não ia há sete anos e acho que houve grandes progressos. Progressos no que diz respeito à educação, à higiene, ao civismo... Na região onde estive ( andar alugado numa das praias da região de Ovar ) verifiquei que a maior parte das tasquinhas, cafés e restaurantes já têm sanitas limpas. É talvez um detalhe anedótico, mas que é revelador. Também agradavelmente surpreso por ver os passeios limpos e uma excelente cotagem do lixo ( vidro, papel, etc. ) que nada deve à região onde vivo em França.
Depois estive nas Astúrias e posso lhe dizer que o tratamento do lixo me parece muito superior em Portugal, visto onde estava, praia não longe de Oviedo, não havia qualquer cotagem e também menos higiene nos bares restaurantes. O que não impede que as Astúrias tenham praias e montanhas ( Picos da Europa ) muito belas.
Os meus filhos adoraram Portugal pela sua variedade e calma.
Embora se sintam disparades sociais de modo mais importante que aqui, à primeira vista parec-me que houve um salto quantitativo importante. Mas também me parece verdade que não é numa geração que se podem apagar 50 anos de fascismo-analfabetismo.
Quanto aos incêndios é, efectivamente, um drama. Este anos a França foi menos afectada por o tempo ter estado muito ameno no Sul. Enquanto aqui na Normandie chegamos em Julho aos 35 graus ( algo nunca visto desde que a meteorologia existe ) , no sul andavam pelos 25 graus.
As florestas têm que ser limpas e para isso é preciso empregar funcionários. Os enormes incendêndios que há dois ou três anos destruiram uma boa parte da floresta Francesa da Provence, além de interesses imobiliários de mau gosto, foram facilitados pelo desaparecimento dos trabalhodores florestais desde há alguns anos.
Nuno
Viva Nuno,
EliminarMuito gosto em tê-lo por cá. Por aqui e cá por Portugal, também.
Nós, que por cá vivemos os nossos dias, não nos apercebemos tão flagrantemente das alterações que vão ocorrendo na nossa sociedade. Como, às vezes, também permanecemos mais agarrados a certos estigmas.
De qualquer forma é notória uma clara evolução positiva em muitos domínios e, em particular, naqueles que se prendem com a educação cívica e sentido de cidadania. Por exemplo, e apesar de ainda haver muito para evoluir – e não só por cá – o comportamento cívico na estrada – um verdadeiro drama ainda há um par de anos – revela hoje um nível educacional dos portugueses bem melhor. Ao nível dos utilizadores profissionais das estradas a diferença é hoje bem evidente. Seja porque são novas gerações de motoristas, já escolarizados, seja pela formação profissional que lhes integra a noção de que também na estrada estão a representar a empresa ou a marca que lhes paga.
De resto, e em termos gerais, apenas parte dos nossos males são males exclusivos do modo português de ser e de viver. Bastar-nos iam, é certo, os que provêm desta globalização que tudo modela! Mas ainda temos mais alguns, só e bem nossos que nos vão turvando o futuro.
Um abraço Nuno.