quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Credibilidade

Por Eduardo Louro


 


 


O nosso primeiro-ministro garante-nos que as medidas anunciadas na semana passada “são suficientes para restaurar a credibilidade do Estado Português junto dos agentes financeiros”.


Fosse a credibilidade o forte do nosso primeiro-ministro, ou não nos tivesse já dito o mesmo no PEC I e depois no PEC II, quando o mundo mudara em duas semanas, e alguns de nós, os menos dados à análise destas coisas da economia, até poderiam acreditar.


Mas não. Não dá para acreditar: estas medidas, que ao contrário do apregoado não incidem em primeira ordem na redução da despesa – a redução na despesa é exactamente do mesmo sinal do aumento dos impostos, e não de efectivo corte nos desperdícios do Estado – espremem a classe média e têm consequências na economia, no crescimento económico.


O FMI apresentou esta semana uma previsão de crescimento zero que corrigiu, logo que percebeu que essa previsão não tinha em conta aquelas medidas, para um crescimento negativo de 1,4%.


Já toda a gente percebeu que em 2011 a economia portuguesa entrará de novo em recessão e que, mesmo que aquelas medidas tivessem acalmado (restaurado a credibilidade, nas palavras do primeiro-ministro) os mercados – o que as operações de colocação de dívida desta semana não confirmaram –, eles voltariam a agitar-se com o crescimento negativo que, evidentemente, lança a economia portuguesa numa espiral de recessão que se transforma num beco sem saída. Os mercados hoje penalizam-nos fortemente pelo comportamento do défice orçamental. Amanhã penalizar-nos-ão ainda mais pelo desempenho do produto!


Portanto estas medidas, ao contrário do que o senhor primeiro-ministro garante, não são suficientes. Nem credíveis!


No dia em que ficamos a conhecer os escalões de corte nos salários da função pública – cinco escalões, com o primeiro a iniciar-se nos 1.500 euros (com corte de 3,5%) e o último nos 4.200 (onde o corte é de 10%) – é bom lembrar que credibilidade rima com responsabilidade!


Sem que se inverta o sentido de responsabilidade de quem nos governa, de quem nos governou e nos levou a abdicar de produzir em troca de subsídios, e de quem fatalmente nos virá a governar, nunca Portugal conseguirá restaurar a credibilidade! 

2 comentários:

  1. Ontem o Banco de Portugal, no relatório de Outono, disse que "as medidas de carácter permanente desde já bem especificadas não parecem ser suficientes para garantir a prossecução do objectivo assumido para 2011"

    Estamos quase lá.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, Paulo... e disse ainda que não haverá seguramente crescimento, admitindo mesmo a recessão. O ministro das finanças é que já veio dizer que não, que estão todos enganados!
      Triste sina esta...

      Eliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...