Por Eduardo Louro
As empresas de apostas on line não irão deixar passar muito mais tempo sem aproveitar o jogo que apaixona Portugal: chamemos-lhe o orçamento 1X2!
Passará o orçamento? Aceitam-se apostas.
De semana para semana vemos que as tendências se alteram. Se na moda as tendências são marcadas pelos estilistas aqui, neste jogo, quem as marca são evidentemente os analistas políticos e os politólogos, essa nova profissão na moda. Na moda não da moda! E tão nova que o meu processador de texto não a deixa passar sem a assinalar a vermelho!
Ao governo, como às vezes a muitas equipas numa qualquer competição, serve o 1 e o X. Isto é a vitória e o empate, sendo a vitória representada pelo voto a favor e o empate pela abstenção.
Nas últimas semanas as tendências apontavam para o X. Todos apostavam na viabilização do orçamento através da abstenção do PSD. À medida que se caminhava para o final da semana essa tendência ia perdendo força: já ninguém acreditava que Passos Coelho pudesse voltar a dar a mão a Sócrates. Porque Sócrates não se punha sequer a jeito e porque Passos criara as suas próprias amarras.
A pressão do Presidente da República – particularmente interessado no jogo pelas razões conhecidas – já de pouco vale. A de Durão Barroso também de pouco deverá valer: perdeu, a meu ver, autoridade moral para o que quer que seja (veremos se lá mais para a frente, daqui por uns anos, quando ele aí aparecer de saco às costas para apanhar o comboio da presidência da república – se ela ainda existir – ainda nos lembramos disso!) e nem o pomposo chapéu de número 1 da Europa lhe vale. A de Manuela Ferreira Leite, mais uma vez disposta a emular-se pelo amor eterno a Cavaco Silva, apenas vem piorar as coisas: encosta a espada ao pescoço de um Passos Coelho já completamente imobilizado contra a parede a que Sócrates o encostou.
Estávamos nisto, com toda a gente a riscar o X das suas apostas, quando alguém se começa a lembrar que o 1 também é solução. Pois é: se o CDS votar a favor já Passos Coelho poderá salvar a honra (e o resto) do seu convento e o orçamento passar na mesma!
Não acredito nesta aposta. E não é por achar que Paulo Portas não fosse capaz de um qualquer golpe de rins. Não é por isso: é porque me começa a parecer claro que o chumbo do orçamento interessa a Sócrates! Vem mesmo a calhar. Vejam bem, fechem os olhos por um minuto e pensem um bocadinho: então isso não vem mesmo a calhar, não serve que nem uma luva naquela personagem?
É por isso que eu aposto no X. Sócrates encostou toda a gente à parede: o país, a todos nós, ao PSD e a Passos Coelho
Ao PSD interessa agora viabilizar o orçamento. De outra forma, nas mãos de Sócrates e da sua poderosa máquina de comunicação, será inapelavelmente responsabilizado pela crise política e pelas suas consequências económicas, financeiras e sociais. Quando se chegar a Maio, e finalmente às eleições, já ninguém se lembrará de outra coisa que da culpa do PSD naquela situação!
E a Passos Coelho? Bem, isso é outra história. Neste momento os seus interesses não coincidem com os do PSD… E no grupo parlamentar não estão os seus…estão os outros!
Complicado para Passos Coelho? Muito, e isso já se nota. Mas sê-lo-á sempre muito mais para todos nós!
Como li algures, nos próximos dias ficaremos a conhecer a essência política dos actuais intervenientes. Será podemos contar com surpresas?
ResponderEliminarJá não há surpresas Paulo...
EliminarQualquer que seja a decisão de PPC ele não será "candidato" a PM pelo PSD, ele sabe disso,a situação em que se colocou no PECII e revisão constitucional levaram a isso, e não só.Como tal, faça o que tem a fazer se o PS teimar nesta espécie de orçamento, votar contra.A bem da Nação.Os mercados estam-se a borrifar para nós,como provam os dias segunites do anúncio do PECIII.Como tal, há que romper com esta paz podre e começar de novo, vem o FMI? que venha!
ResponderEliminarApoiado, Pedro!
EliminarFui interrompido quando escrevia o comentário anterior. O que queria dizer era: "Apoiado ... mas não vai ser assim! O PPC será atropelado: a bem ou a mal e o PSD deixará passar o orçamento".
EliminarÉ absolutamente desesperante perceber que somos apenas figurantes no teatro político. Já não somos sequer o público que se pode levantar a meio do espectáculo ou atirar uns tomates para o palco. Até porque não temos sítio nenhum para onde ir (não há espectáculo neste país que valha a pena) e os tomates, é melhor guardá-los para fazer uma saladinha quando a fome apertar. Somos o coro dos teatros gregos: que sao os tótós que ficam no fundo do palco, narrando a intriga, antecipando o desenlace, mas sem a mínima possibilidade de influenciar o decurso dos acontecimentos.
ResponderEliminarConcordo plenamente com a análise feita. Quando não há saída possivel, todos se lembram daquela porta oculta que toda a vida nos acena - a morte.
Muitos suicidam-se em épocas de crise, quando perdem a fortuna ou quando ganham a miseravel normalidade de terem de viver com as dificuldades dos comuns mortais. Esses são os cobardes.
Outros morrem mesmo de causas naturais: de fome, de nervos, enfim, de desgosto. Esse é o homem médio.
Outros, ainda, simulam o seu próprio homicídio, de forma a que a história os esqueça tal como foram e os recorde mortos, beatificados, feitos mártires. Esse é o Sócrates.
Ele que beba a porcaria da cicuta e se junte ao seu homónimo no reino do Olimpo!
Bem visto! Mas a coisa iria correr mal quando os dois se encontrassem. È que este Sócrates não toleraria que o filósofo, que já lá está há tanto tempo, lhe disputasse o lugar lá no Olimpo. Isto já para não falar do pó que o filósofo deverá ter a um tipo que lhe manchou o nome desta maneira...
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