Por Eduardo Louro
Comemoramos hoje 100 anos de República. Ou será que comemoramos os 100 anos da implantação da República?
Há quem entenda que não se justifica comemorar 100 anos de República. Quer dizer, há quem entenda que a História de Portugal nos últimos 100 anos de regime republicano não nos trouxe motivos de comemoração. A primeira República foi desastrosa: instabilidade política e governativa, degradação contínua das finanças públicas, desastrada e sofrida participação na Guerra, golpes, traições e perseguições. Aos seus próprios heróis, como o herói da Rotunda: Machado dos Santos, assassinado em 1921. Desembocaria na mais duradoura ditadura europeia do século, quase 50 anos de ditadura no chamado Estado Novo, na óptica da maioria dos historiadores um longo intervalo na República, retomada apenas em 25 de Abril de 1974. A segunda República, para os mesmos historiadores!
Os resultados que hoje conhecemos não são dignos de muito coisa. Muito menos de comemoração!
Pois eu entendo que comemoramos hoje os 100 anos do movimento republicano de 5 de Outubro. Da revolução da Rotunda!
Aí encontraremos realmente motivos de comemoração: os símbolos nacionais, os valores da rés pública, o ideal democrático, a cidadania, a separação da Igreja do Estado, a ideia da educação como pilar do desenvolvimento da sociedade…
Sim, vale a pena comemorarmos esta data que, com a de 25 de Abril, representam as duas mais importantes datas do século XX da nossa História. E como permanecem actuais os seus valores, 100 anos depois!
Hoje não celebrei a republica!! É certo que para esta ausência de celebração contribuiu o facto de estar longe, à distância de muitos quilómetros, desse nosso país... No entanto, apenas me lembrei, vagamente, entre um doente que saia da consulta e outro que entrava, enquanto escrevia a data no diário clínico, que hoje era 5 de Outubro. Uma data a comemorar... Segundo os historiadores e, pelos vistos, não só.
ResponderEliminarEu nasci e cresci na republica, não vendo nascer nem a primeira, nem a segunda... E curiosamente passo o centenário dessa instituição, num país que aprendi a respeitar e a admirar, que me recebeu e continua receber de forma extraordinaria, e que nunca conheceu a palavra e a realidade da Republica... O destino tem destas coisas!
Não, não vejo motivos para celebrar a Republica (não podiamos estar sempre de acordo!!). Os valores e os ideais mencionados não são exclusivos da Republica, mas sim de sociedades dignas, empreendedoras, inteligentes e justas... E para isso não é preciso ser Republica. São antes precisas Pessoas que construam e liderem essas sociedades, sob esses alicerces, e isso, na nossa Republica, tem faltado (e muito!)...
Pode até ser triste... mas não tenho nenhum entusiasmo nesta celebração...
Evidentemente que no caminho que o nosso país fez pela História destes cem anos raramente encontramos motivos para celebrar. O caminho, a trajectória e o destino a que chegamos têm a marca forte do desãnimo numa pátria tantas vezes madrasta.
EliminarMas houve momentos, datas, em que as janelas da esperança se abriram de par em par. Em que o Sol entrou!
Evidentemente que o que importa são as lideranças. É a qualidade dessas lideranças que podem fazer a diferença, e não tanto a fronteira entre a monarquia e a república. Mas não se pode esquecer que as monarquias no século XIX nada têm a ver com as dos séculos XX e XXI. Agora são meras representações e, na maioria dos casos, factores de unidade nacional, acima das quezílias políticas. Não exercem nem distribuem o poder como então acontecia. A a corte não é a mesma coisa...
A própria questão fundamental - a da legitimação - poderá setar diluída mas não desapareceu! Dificilmente a monarquia pode reclamar a mesma legitimidade para o exercício da função que a república!