Por Eduardo Louro
A revolução iniciada na Tunísia alastrou ao Egipto? É o que se diz!
Até pode ser que seja assim, que tenha alastrado… mas, não é a mesma coisa. Nem mais ou menos!
O Egipto não é o Magreb. Em comum pouco mais têm que o facto de serem governados pelos nossos filhos da puta (a expressão não é minha; é de Kissinger quando, referindo-se a Pinochet, dizia: é um filho da puta, mas é dos nossos)!
O papel do Egipto nos equilíbrios da mais instável região do mundo dos últimos 50 anos é único e decisivo. Como único e decisivo é o papel do Egipto no futuro do radicalismo Islão. No seu incontrolável avanço ou na sua contenção…
O Egipto é o único aliado árabe de Israel e um forte parceiro nos acordos de paz. O Egipto é dos maiores países árabes e a biblioteca do mundo árabe, o seu maior centro cultural. E o principal berço da Al Qaeda…
Joga-se neste momento no Egipto mais que o seu futuro. Mais do que o futuro do Médio Oriente: o futuro do mundo e de uma certa forma de olhar para ele a que chamamos civilização!
O poder global dos EUA é inequívoco e suficiente para moldar os equilibrios regionais e dessa forma também os globais.
ResponderEliminarA corrente wilsoniana da política internacional norte-americana (uma das quatro clássicas) é anti-isolacionista e defende a intervenção dos EUA no sentido de promover a auto-determinação dos povos (tema demodé), a democracia, o capitalismo e a paz. Esta será a mais 'pura e inocente' das correntes existentes até por ser a mais arrojada e a que exige mais esforço, basta imaginar o que seria das relações sino-americanas...
Sabemos há muito que é a real politik é quem mais ordena e isso justifica o apoio e a co-existência com regimes autoritários pouco respeitadores das liberdades individuais.
A relação com o Egipto, assim como com muitos outros estados da região, baseia-se (baseava-se no caso egípcio) numa lógica pragmática de gestão de equilíbrios de forma a reduzir as ameaças. O próximo equilíbrio é incerto e a segurança do Médio Oriente (e até da Europa) depende dele.
Os EUA nem sempre são felizes nas apostas nem bem sucedidos (caso Iraque) mas sem a sua intervenção o mundo seria um lugar mais perigoso.
Paulo: é só para assinar por baixo!
EliminarAgora que está assinado deixo-lhe um abraço.
A propósito do Egipto, a reacção mais vergonhosa vêm de Tony Blair " Uma mudança é necessária, mas tem que ser uma mudança na estabilidade".
ResponderEliminarSe já sabemos que se os usa se retiraram do Oriente foi porque a sua reserva natural lhes estava a fugir. Chavez, Lula/ Dilma... não são bons exemplos... para o irmão entre aspas do norte...
O ocidente não pode ser hipócrita quando os povos árabes se revoltam. Onde estão os fundamentalistas na Tunísia ou no Egipto ?
A hiprocrisia dos liberais ocidentais é a curto prazo perigosa. Dizem que defendem a democracia, mas quando o povo se revolta contra os tiranos e pede pão em nome da justiça e da liberdade, e não em nome da religião, ficam imensamente preocupados.
Os governos ocidentais estão hoje confrontados a uma realidade política que não pensaram. Ou melhor : que não quiseram pensar.
Nuno
Subscrevo Nuno. A hipocrisia ocidental começa logo quando, e mantendo a terminologia de Kissinger, apoia e sustenta "filhos da puta". Nem sempre há alternativa? Não será bem assim... O problema é que sabem que, com "filhos da puta", os seus interesses são defendidos. E, aqui, à hipocrisia junta-se a miopia política e estratégica: é que isso apenas é verdade no curto prazo!
EliminarA longo prazo dá para o torto.
Um abraço Nuno.
É altura dos puritanos decidirem se a UE e os EUA devem intervir no Egipto - sendo acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países e sorvedouro dos recursos naturais dos mesmos - ou esperarem sentados que ocorra uma espécie de 25 Abril feito na internet e terminando num banho de sangue. Acho que o Ocidente não deveria agir de forma tão denunciada no Cairo pois certamente haverá alguém que represente a ambição legítima e democrática do povo egípcio, homens como Wael Ghonim e Khaled Said que não têm nada a haver com o fanatismo religioso de uma irmandade qualquer nem tampouco com a política.
ResponderEliminarConcordo consigo. Mas parece-me que o problema é mesmo não ter emergido uma liderança clara durante estas duas semanas que já decorreram. Creio que, sem esse problema, Mubarak não teria tido espaço para a decisão que tomou e que ontem comunicou sustentada, como não podia deixar de ser e como já hoje foi confirmado pelo próprio Exército, no apoio dos militares.
EliminarO JANELA INDISCRETA, de Pedro Rolo Duarte, na Antena 1, passou hoje por aqui.
ResponderEliminarGostamos de vos ver por cá!