terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

EGIPTO: O CENTRO DO MUNDO

Por Eduardo Louro


 Comissária da ONU fala em 300 mortos nos protestos (SIC)Escudo de Egipto


 


A revolução iniciada na Tunísia alastrou ao Egipto? É o que se diz!


Até pode ser que seja assim, que tenha alastrado… mas, não é a mesma coisa. Nem mais ou menos!


O Egipto não é o Magreb. Em comum pouco mais têm que o facto de serem governados pelos nossos filhos da puta (a expressão não é minha; é de Kissinger quando, referindo-se a Pinochet, dizia: é um filho da puta, mas é dos nossos)!


O papel do Egipto nos equilíbrios da mais instável região do mundo dos últimos 50 anos é único e decisivo. Como único e decisivo é o papel do Egipto no futuro do radicalismo Islão. No seu incontrolável avanço ou na sua contenção…


O Egipto é o único aliado árabe de Israel e um forte parceiro nos acordos de paz. O Egipto é dos maiores países árabes e a biblioteca do mundo árabe, o seu maior centro cultural. E o principal berço da Al Qaeda…


Joga-se neste momento no Egipto mais que o seu futuro. Mais do que o futuro do Médio Oriente: o futuro do mundo e de uma certa forma de olhar para ele a que chamamos civilização!

7 comentários:

  1. O poder global dos EUA é inequívoco e suficiente para moldar os equilibrios regionais e dessa forma também os globais.
    A corrente wilsoniana da política internacional norte-americana (uma das quatro clássicas) é anti-isolacionista e defende a intervenção dos EUA no sentido de promover a auto-determinação dos povos (tema demodé), a democracia, o capitalismo e a paz. Esta será a mais 'pura e inocente' das correntes existentes até por ser a mais arrojada e a que exige mais esforço, basta imaginar o que seria das relações sino-americanas...
    Sabemos há muito que é a real politik é quem mais ordena e isso justifica o apoio e a co-existência com regimes autoritários pouco respeitadores das liberdades individuais.
    A relação com o Egipto, assim como com muitos outros estados da região, baseia-se (baseava-se no caso egípcio) numa lógica pragmática de gestão de equilíbrios de forma a reduzir as ameaças. O próximo equilíbrio é incerto e a segurança do Médio Oriente (e até da Europa) depende dele.
    Os EUA nem sempre são felizes nas apostas nem bem sucedidos (caso Iraque) mas sem a sua intervenção o mundo seria um lugar mais perigoso.

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    1. Paulo: é só para assinar por baixo!
      Agora que está assinado deixo-lhe um abraço.

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  2. A propósito do Egipto, a reacção mais vergonhosa vêm de Tony Blair " Uma mudança é necessária, mas tem que ser uma mudança na estabilidade".

    Se já sabemos que se os usa se retiraram do Oriente foi porque a sua reserva natural lhes estava a fugir. Chavez, Lula/ Dilma... não são bons exemplos... para o irmão entre aspas do norte...

    O ocidente não pode ser hipócrita quando os povos árabes se revoltam. Onde estão os fundamentalistas na Tunísia ou no Egipto ?

    A hiprocrisia dos liberais ocidentais é a curto prazo perigosa. Dizem que defendem a democracia, mas quando o povo se revolta contra os tiranos e pede pão em nome da justiça e da liberdade, e não em nome da religião, ficam imensamente preocupados.

    Os governos ocidentais estão hoje confrontados a uma realidade política que não pensaram. Ou melhor : que não quiseram pensar.

    Nuno

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    1. Subscrevo Nuno. A hipocrisia ocidental começa logo quando, e mantendo a terminologia de Kissinger, apoia e sustenta "filhos da puta". Nem sempre há alternativa? Não será bem assim... O problema é que sabem que, com "filhos da puta", os seus interesses são defendidos. E, aqui, à hipocrisia junta-se a miopia política e estratégica: é que isso apenas é verdade no curto prazo!
      A longo prazo dá para o torto.
      Um abraço Nuno.

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  3. É altura dos puritanos decidirem se a UE e os EUA devem intervir no Egipto - sendo acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países e sorvedouro dos recursos naturais dos mesmos - ou esperarem sentados que ocorra uma espécie de 25 Abril feito na internet e terminando num banho de sangue. Acho que o Ocidente não deveria agir de forma tão denunciada no Cairo pois certamente haverá alguém que represente a ambição legítima e democrática do povo egípcio, homens como Wael Ghonim e Khaled Said que não têm nada a haver com o fanatismo religioso de uma irmandade qualquer nem tampouco com a política.




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    1. Concordo consigo. Mas parece-me que o problema é mesmo não ter emergido uma liderança clara durante estas duas semanas que já decorreram. Creio que, sem esse problema, Mubarak não teria tido espaço para a decisão que tomou e que ontem comunicou sustentada, como não podia deixar de ser e como já hoje foi confirmado pelo próprio Exército, no apoio dos militares.

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  4. O JANELA INDISCRETA, de Pedro Rolo Duarte, na Antena 1, passou hoje por aqui.
    Gostamos de vos ver por cá!

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