sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O PÂNTANO

Por Eduardo Louro


 


Ontem o secretário-geral da OCDE era citado como tendo dito que Portugal e Espanha estavam a fazer um trabalho brilhante na consolidação orçamental e no controlo do endividamento externo. O governo, evidentemente, amplificou estas palavras até ao limite!


Hoje o Diário Económico cita a Reuters, a quem uma fonte da UEM terá referido que "Portugal está a afogar-se, não vai ser capaz de resistir para além do fim de Março” e que já toda a gente tinha percebido isso.


O gabinete do Primeiro-Ministro, evidentemente, negou tudo, garantindo que o país não vai recorrer a ajuda externa.


Marques Mendes, ontem na TVI 24, tinha esse pedido de ajuda por inevitável. Mais, garantia que o governo tinha por clara essa mesma inevitabilidade.


Eu acrescentaria que o governo apenas está à espera de poder retirar as iniciais FMI dessa ajuda. Logo que lhe seja possível camuflá-la como ajuda da UE pedirá essa ajuda. Claro que o próprio pedido também há-de ser travestido!


Até porque o ministro das finanças alemão – em entrevista ao jornal japonês Nikkei, citada pela Reuters, – garante que a Alemanha está disponível para apoiar Portugal desde que o país avance para reformas estruturais. Dava um único exemplo: o corte das pensões dos funcionários públicos. Ora aí está: em reformas estruturais o FMI não faria melhor!


E o BCE lá voltou hoje a comprar mais dívida portuguesa para que os juros não continuassem a disparar.


Entretanto, e sem que nada tenha a ver com isto, Sócrates lança a primeira pedra de uma nova barragem - a de Foz Côa, agora sem gravuras - e anuncia mais uma parcela do paraíso!


Se isto não é o pântano, então o que é o pântano?


 

5 comentários:

  1. Não é a tolerância que é a mãe da relatividade. É o Sócrates. Não há como ele para relativizar!

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    1. A relatividade é que era a mãe da tolerância, não o inverso. Sócrates não relativiza, inventa! Põe o Estado a vender imóveis ao Estado pelos quais o Estado vai passar a pagar renda ao Estado. E depois diz que o défice fica aquém do previsto, com tudo isto escondido e a gente a pensar que a habilidade se tinha limitado ao fundo de pensões da PT.
      Este tipo tem de ser preso!

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  2. A França tem uma dívida muito importante.

    A empresa Francesa petrolífera Total apresentou um lucro de dez bilhões e quatro milhões de euros, só para o ano 2010.

    E há quem diga que a saúde e a educação ficam caras !

    Eu acredito na Europa. Mas não naquela ou nessa de Barroso.

    Não haverá que pensar no seguinte ? Se a Europa existe porque pensar no FMi ?

    Sabemos todos que o FMI é o ponta de lança da miséria e da destruição do serviço público que, por ser públiico, não é compatível com o lucro.

    Creio que Marx se atreveu a escrever que se a burguesia não se renova ou se abre, morrerá.

    Nuno

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    1. Nuno, quando diz que acredita na Europa entendo que quer dizer que acredita no ideal europeu, naquela ideia de uma Europa capaz de se impor no mundo como o farol da liberdade e do desenvolvimento, economica e politicamente consistente e eventualmente unida num através de um Estado Federal. Eu também acredito nisso e e acredito que é muito importante não perder essa esperança, para a quela valeria a pena mobilizar os europeus.
      Não acredita, como eu também não, nesta cambada de eurocratas que não sabe nem quer dar corpo a esse projecto e que, como temos visto ao longo de toda esta semana, mais não sabe que copiar o FMI: letra por letra!

      Um abraço Nuno.

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    2. Queria escrever: "...para o que valeria a pena mobilizar os europeus."

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