Por Eduardo Louro
A entrevista de hoje de Pedro Passos Coelho à RTP pareceu-me extraordinariamente oportuna. Uma oportunidade perfeitamente circunstancial e, por isso mesmo, ainda mais oportuna. Porque permitiu estabelecer o paralelo com o número que Sócrates, apenas 24 horas antes, nos tinha apresentado!
Permitiu uma comparação chocante, tão chocante quanto se chocam dois estilos completamente opostos. Colocou lado a lado um político experimentado, altamente profissional, rebuscado, sagaz e astuto e um outro completamente amador e ingénuo – naif como diz Pacheco Pereira – franco e transparente, incapaz de disfarces.
Aos olhos da teoria política, e eventualmente na opinião de muitos politólogos e comentadores, o primeiro esmagará por completo o segundo. Acredito que o mesmo se passe aos olhos de algum eleitorado!
Aos meus não: aos meus revelou-se um político que nada deve e que, por isso, nada teme. Que nada esconde, e por isso fala verdade, mesmo que diga coisas com que não concordo ou que cometa erros que me pareçam básicos. Que é sério, franco e transparente, mesmo que ingénuo: em quem se pode confiar, mesmo sabendo que poderá cometer erros!
É por isso meu entendimento que esta comparação não é favorável a Sócrates. Como não o será a Portas, se for com ele a comparação! Quem é mais transparente é intrinsecamente mais sério!
Ah! E a entrevista permitiu finalmente esclarecer a estória do telefonema que foi reunião e que, confesso, a mim me tinha feito muita confusão. Tanta que aqui a trouxe por mais de uma vez! Pois, como se diz na gíria, Passos Coelho foi comido! É agora fácil de imaginar: Passos Coelho, que jurara não mais se encontrar com Sócrates, acabou por fazê-lo. Não tendo dado em nada, sem resultados e para salvar essa face, pede sigilo a Sócrates. Que, sem qualquer surpresa, o manteria apenas até à altura tida por mais interessante.
Claro que também não poderia fazer uso, como fez, da circunstância e da desconsideração de apenas ter sido informado por telefone. Não foi prudente e, de certo modo, de alguma forma legitimou a sacanice! Mas também fica claro que o acontecimento é não acontecimento: sem a importância que na altura lhe atribuí…
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