Eduardo Louro
O prometido é devido e, antes que se faça tarde, vamos ao sistema. Como já avisei não é nada fácil de definir: desde logo porque muitos dizem que o sistema não existe! Para se perceber bem a dificuldade basta dizer que enquanto uns negam a sua existência – e ninguém consegue definir uma coisa que nem sequer existe – outros, os que garantem que existe, que está vivo e bem vivo e que até sabem bem o que é, quando chega a hora de o identificar – que é como quem diz, de o definir – nada! É o sistema, é o sistema mas não saem dali!
Quem foi mais longe nesta difícil tarefa de definir o sistema foi Dias da Cunha, o antepenúltimo presidente do Sporting (antepenúltimo porque o actual é o actual, não é o último presidente do Sporting). Mesmo com esse mérito não conseguiu mais que apresentar duas caras: as caras do sistema, disse com todas as letras, “são Pinto da Costa e Valentim Loureiro”!
Repare-se: ele não disse que o sistema era Pinto da Costa e Valentim Loureiro, disse que estes eram os rostos do sistema. Podem portanto tirar o cavalinho da chuva: também não irei ser eu a defini-lo!
Se ninguém o conseguiu por que haveria de ser eu a fazê-lo? A modéstia é como o cuidado e os caldos de galinha: não faz mal a ninguém!
Mas há aqueles dois nomes que Dias da Cunha mandou para esta fogueira. O que é lhes haveremos de fazer?
Claro que deles ouvimos muitas estórias. Umas contadas por aqui e por ali, outras escutadas mesmo. E que acabamos todos por ouvir: uns - onde me incluo – por não resistirem à chamada espreitadela pelo buraco da fechadura (expressão que usam, para tentar tapar o sol com a peneira, aqueles que gostariam que fossemos todos iguaizinhos aos que absolvem tudo e todos e aos que programam uns fins-de-semana fora, ali mesmo na Galiza,), outros porque foram as escutas que se lhes atravessaram à frente. Dizem eles, que não são nem coscuvilheiros nem de intrigas!
Fosse o Octávio Machado e diria: “vocês sabem do que é que (de quem) estou a falar”!
Da mesma forma que não há fumo sem fogo também, havendo as caras do sistema, não pode deixar de haver sistema. Seja lá o que for: seja impor os titulares dos órgãos que decidem, nomeiam ou influenciam, seja ocupar lugares e funções estratégicos, seja mandar na arbitragem ou tão simplesmente tratar bem os homens do apito, com fruta ou com viagens. Ou dispor de um exército de jogadores e distribuí-los pelas mais variadas equipas que disputam a mesma competição. Ou assinalar treinadores e colocá-los em equipas amigas, como naquelas mesas de restaurante com a sinalética de reservada!
Seja ou não uma combinação de habilidades e espertices com algumas (muitas) pulhices, umas toleradas pelo chico-espertismo nacional e outras protegidas pela negligência e pela corrupção.
Se o sistema é isto as caras do sistema já não são o que eram: Valentim Loureiro praticamente desapareceu de cena, obrigado a abandonar a Liga, e com o Boavista, já depois da sucessão dinástica que havia promovido, atirado para fora dos escalões do futebol profissional. Já Pinto da Costa, ressuscitado por uma Justiça suspeita que não aceitou provas que toda a gente percebeu que provavam tudo, regressa ao seu melhor nível, como se viu no arranque da época passada e como se confirmou esta semana, a provar que, para além de cara do sistema é o melhor gestor do futebol em Portugal.
Não sei se foi ou não apanhado de surpresa ou enganado pelo André Villas-Boas. O que sei é que convenceu toda a gente do contrário, que a troca do Porto pelo Chelsea pelo treinador tão portista quanto ele era coisa que previa já há um mês. E que por isso já tinha tudo tratado com o anterior adjunto, a ponto de o confirmar como treinador principal logo que do banco lhe confirmaram os 15 milhões da cláusula de rescisão. Pode não ter sido assim, mas convenceu toda a gente que foi assim!
E transformou uma ameaça – todos os comentadores eram unânimes em declarar um Pinto da Costa de calças na mão – numa oportunidade. Na oportunidade de reafirmar a sua capacidade de gestão e de marcar a diferença para a concorrência. Surpreendeu ao apostar no treinador adjunto, coisa que em Portugal e em particular nos grandes não é comum e, com isso, resolveu de imediato o problema como se há muito estivesse previsto.
Não faço ideia se o ex-adjunto Vítor Pereira é treinador para o Porto: não o conheço de lado nenhum! Mas Pinto da Costa conhece-o: já o conhecia de uma anterior passagem pelos juniores, ao ponto de o fazer incluir na equipa de Villas-Boas, e acompanhou o seu trabalho no último ano. Reconhece-lhe certamente competência, que é o essencial. O resto é com ele! E com o sistema…
Para já, sem o treinador maravilha e sem os dois ou três jogadores que o homem que abandonou a cadeira de sonho vai levar, fica com os cofres a abarrotar!
Caro Amigo Eduardo Louro,
ResponderEliminarO Sr. Dias da Cunha, há dois ou três anos atrás, no Programa Prós e Contras, depois de muito ser pressionado para se justificar e deixar de subterfúgios, lá explicou FINALMENTE, o que é que para ele era o sistema do futebol que vinha denunciando, cujas caras na altura, dizia ele e recorda o Eduardo, eram o Major V.L. e Pinto da Costa.
E o que era o "Sistema" afinal segundo ele?
Em palavra suas (Dias da Cunha) disse: "O Sistema é a busca e a luta pelo poder nos organismos do futebol, pois sabem que quem tiver esse poder poderá usalo em benefício próprio. O Meu Clube (Sporting) já conseguiu em tempos dominar o sistema. O Meu clube (Enfatiza Dias da cunha pela segunda vez) usou o sistema em outros tempos para seu benefício próprio. E são outros." - Fim de citação.
Cito de memória, mas em suas palavras, Dias da cunha assumiu isto para quem quis ouvir... Mas nem todos querem ouvir. Tive um vídeo com esse trecho do programa no youtube durante muito tempo (batia recordes de visualizações na altura) até me banirem a conta por alegados "Direitos de autor" de outros vídeos.
A Direcção do Benfica, nomeadamente LFV, é Inocente, na tentativa de dominar o sistema?
Claro que sim! Defendem os Crentes da Catedral.
O Benfica e de facto uma religião. É a religião desportiva em Portugal com mais crentes e fanáticos.
Viva o Benfica.
Uma visão desapaixonada e objectiva para a anterior forma de agir, disciplinar, mais concretamente, da LPFP nos 2 anteriores anos, e identificamos quem foram "As caras do Sistema" nos últimos tempos: por acaso o Clube que foi Campeão nessa vigência.
"O Major, eu estou a fazer as coisas por outro lado" - LFV Dixit, mas isto são peanuts...
Você, só é pena essa sua pancada pelo SLB na proporção da teoria de conspiração pelo FCP.
Não fosse isso, e era um gajo 6 estrelas. Assim é só 5 :-))
Futeboladas à parte, um abraço para sí!
(E Prepare-se para mais um ano do Azulão!!
Não, Paulo. Não estou nada preparado para mais um ano azulão: conto que um portista, tão portista quanto o Pinto da Costa, dê uma ajudinha para equilibrar as coisas. "Vocês sabem do que estou a falar".... como diz o outro.
EliminarUm abraço Paulo!