terça-feira, 12 de julho de 2011

NOTAS E VISTAS DO CAMPO (VI) - Agricultura e economia

Por Luís Fialho de Almeida


 


Nos anos de economia a crescer, com o crédito fácil, a abertura dos mercados, a acessibilidade a todo o género de produtos e proveniências e o deslumbramento perante novos bens de consumo, alterou-se a relação entre a produção nacional e o consumo interno, pelo que estamos agora a importar grande parte dos bens que consumimos e, em valor, exportamos metade do que importamos.


A abertura de mercados trouxe grandes desafios às explorações nacionais que tiveram de se modernizar para ganhar competitividade, processo doloroso que levou à perda de muitas explorações e activos.


Desde a entrada na UE, só na região de Lisboa, Oeste e Vale do Tejo, uma das regiões mais dinâmicas na produção agrícola nacional, (com cerca de 12% da superfície agrícola útil, contribui com 30% do produto agrícola final), verificou-se uma redução de 65% de activos.


Apesar do carácter depressivo do sector, e das mais chocantes das suas causas, é justo salientar o mérito de muitos agricultores e de muitos agentes de instituições públicas que, vencendo enormes contrariedades, com muito trabalho e pouco discurso, procuram e vão encontrando soluções.


Michael Porter, em 1994, identificou os clusters para desenvolvimento da nossa economia e, volvidos estes anos, verificamos a progressiva internacionalização de sectores por ele referidos no domínio agro-florestal: o vinho, a madeira, o papel e a cortiça. Também os hortofrutícolas ganham progressiva notoriedade nos mercados externos. No milho e no tomate de indústria temos as mais elevadas produtividades do mundo.


Nas produções competitivas a exportação deve ser uma prioridade, já que o escoamento interno se encontra afunilado e estrangulado pelas grandes superfícies, cada vez mais representativas da distribuição (cerca de 80%), e que vendem o que adquirem no mercado global.

2 comentários:

  1. Na agricultura – como nos restantes sectores produtivos –, pela nossa dimensão, nunca poderemos competir noutros campos que não os da diferenciação. Seja pela alta qualidade, pelo design ou pela inovação. E pelo marketing, a começar pelo país, pela marca Portugal.
    Portugal precisa urgentemente de apostar numa estrutura de comunicação externa que una economia e diplomacia, dando-lhe meios para, de uma forma coerente e eficaz mudar a imagem do país.
    O mercado interno está, como bem diz, nas mãos das grandes superfícies. Evidentemente que o negócio das grandes superfícies é massificado, desfasado, portanto, da nossa oferta. Utilizarão a produção nacional apenas e só para a sua própria promoção, como foi o caso recente, que referiu num dos textos anteriores.

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    1. Concordo! – O mercado interno está nas mãos de dois grupos económicos que privilegiam os produtos de massa de baixo custo, mesmo que isso represente trazer toneladas de borrego da Austrália ou qualquer outro produto do outro lado do mundo. É importante incutir o uso da marca Portugal, mas acompanhada de fiscalização e punição aos operadores sem escrúpulos que a utilizam associada a produtos made in China ou Tailândia, como acontece no calçado ou com as amêndoas importadas dos EU e os figos da Turquia.
      A nossa escala de produção é compatível com a diferenciação de produtos pela qualidade(ex: vinhos, pêra rocha, tomate de industria), ou pela oportunidade de entrada no mercado face aos concorrentes(certos hortícolas). O marketing e a diplomacia económica (digo a económica e não a do croquete) devem estar associados na promoção dos nossos produtos nos mercados externos. O nosso pessoal diplomático deverá ter preparação e ser mais pró-activo nesta matéria, para bem da salvação nacional.

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