segunda-feira, 18 de julho de 2011

SEGURO E NÃO FORMOSO

Por Eduardo Louro


 


Na corrida à liderança do PS - que acaba de entrar na recta final - António José Seguro segue tranquilamente à frente, rumo à vitória. Francisco Assis lá vai fazendo pela vida, mas já nem ele próprio acredita que lá chegue. Vai-se esforçando em lançar uma outra ou ideia, às vezes mesmo uma pedradazita no charco, enquanto, Seguro mas não formoso, o seu adversário se limita a olhar para os botões da máquina, vendo se está tudo no sítio e distribuindo afectos a eito.


É a força da máquina, dizem. Nestas coisas quem não domina a máquina perde, sem apelo nem agravo. É assim no PS, mas é assim em todos os partidos. E com a moda das directas é ainda mais assim!


Nada a opor. Nem nada a fazer: são as regras do jogo!


O problema vem a seguir. Olho para as redes sociais – não há volta a dar, não é preciso espreitar pelo buraco da fechadura, as portas estão todas escancaradas – e reconheço as caras que estão à volta de Seguro: todas as que estiveram na linha da frente na defesa de Sócrates, todas as que vibraram com o líder no congresso de há três meses, todas as que deixaram aquela imagem de seita que de lá saiu. Onde, se bem se lembram e repescando a expressão então utilizada e que aqui trouxe já em diversas ocasiões, Seguro nunca saiu de trás dos arbustos. E onde Assis não se escondeu: sempre ali na tribuna, disponível para todos os encómios ao chefe endeusado…


Olho para trás, mais para trás – dois, três…seis anos - e continuo a ver Seguro sempre lá! No mesmo sítio, atrás dos arbustos, sem ninguém dar por ele! E Assis sempre bem a vista, sempre na primeira linha, a defender o chefe até à derrota final. Na Assembleia da República, um líder parlamentar com a missão impossível de defender o indefensável porque, na verdade, o Sócrates que toda aquela gente cegamente idolatrava, já não tinha defesa. No entanto Assis nunca o abandonou, nem por um só momento!


Se Assis não pode – por muito que até quisesse - largar a pele socratista, Seguro pode ser acusado de tudo – e especialmente de ter hibernado à espera que a oportunidade lhe caísse do céu – excepto de admirador e seguidor de Sócrates. Mandaria a lógica que as expectativas apontassem para que toda aquela gente que até há um mês atrás seguia Sócrates em perfeito delírio, estivesse agora ao lado de quem mais próximo dele sempre esteve. Mas não! Nada disso, justamente o contrário!


E isto diz tudo sobre os partidos que temos e a quem entregamos a chave da democracia.


 

2 comentários:

  1. Como muito bem diz - toda aquela gente que cegamente idolatrava Sócrates - foi a primeira, após a capitulação do líder, a procurar a protecção de quem ofereça melhores perspectivas de liderança. A fidelidade é efémera e, como nas relações mercantis, “não há amigos, há interesses”. Um pouco a imagem do pára-raios que ao perder o seu poder electromagnético deixa desprotegidos os que se encontram na sua área de influência, e estes correm logo para a protecção de um outro. Vivem de solidariedades dentro da colmeia e das graças do líder, enquanto este tem poder.
    Ocorre-me adoptar o pensamento de Lídia Jorge ao evocar o efeito de pára-raios e gaiola de Faradey . Sob a saia do cone de protecção encimado por alguém que seja sério ou se declare sério, líder ou com potencial de líder, abrigam-se imediatamente todo o tipo de gente, não sendo excepção: os corruptos, incompetentes e afins. No dizer desta escritora “… quanto mais um dirigente se declara inviolável na sua conduta, mais os atrai para o seu cone protector. Fica a duvida até que ponto o inviolável é cego ou o permite por conivência.”
    Recentemente, Mário Soares, sobre a necessidade de refundar o partido, reconhecia que este alberga gente mais preocupada com os benefícios e vantagens para uso próprio, não dignificando o que é dignificante na política.
    Assim, até mesmo a esperança terá mau futuro.

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