quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BRINCAR COM COISAS SÉRIAS

Por Eduardo Louro


 


É absolutamente inaceitável que alguém, quem quer que seja, faça uma chamada falsa para o 112. Faz parte dos princípios básicos e da mais elementar educação cívica. Tanto que, depois de inúmeras campanhas de sensibilização, passou a ter enquadramento criminal.


É chocante que seja uma jovem deputada – e se aqui o género é irrelevante o mesmo não se poderá dizer da idade – a fazê-lo. É vergonhoso que o tenha feito em plena sessão na Assembleia da República para, conforme revelou com a maior das canduras e uma inocência infantil, testar a qualidade do depoimento em curso do responsável do INEM. É escabrosa a forma como, no clímax de uma atitude irresponsável, a deputada Joana Barata Lopes apresenta a sua conclusão: o tempo de atendimento não fora de 9 segundos, como sustentava o responsável do INEM, mas de 14, como ela própria acabara de constatar. É ridículo que o PSD venha, depois de perceber o disparate da sua jovem deputada, dizer que “não se tratou de uma chamada falsa mas de um teste circunscrito”. Seja lá isso o que for.


Mas isto é repugnante! Haja decoro!


 

4 comentários:

  1. É pura e simplesmente inqualificável a atitude da Srª. deputada. O que é ainda mais grave, é a justificação politica do seu partido (PSD) para tal acto. Brincar ( testar) com o socorro e emergência do "112"
    dessa maneira é crime. Que seja accionada a lei.

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  2. Olá,

    Se a notícia que apresenta é real ( o que não duvido) , não posso deixar de fazer ou entrever uma relação com a conclusão da nota duma revista de imprensa que acompanhei, quanto à abstenção em Portugal : "A cidadania e a democracia poderão durar? / La citoyenneté et la democratie pourraient-elles alors perdurer? "

    Nuno

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    Respostas
    1. Viva Nuno,
      Claro que estas coisas legitimam essa questão. A abstenção tem muito a ver com tudo o que envolve esta lamentável ocorrência. A começar na irresponsabilidade de um grupo parlamentar e, depois, do próprio partido - que, em vez de um mea culpa tenta "mandar areia para os olhos"- passando pela qualidade dos eleitos, neste caso evidenciando uma jovem inexperiente, proveniente das juventudes partidárias em que muito dificilmente os eleitores se revêem .

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