Por Eduardo Louro
Os nossos banqueiros fizeram tudo e mais alguma coisa para impedir o apoio do Estado à recapitalização dos seus bancos. Tudo menos o que deveriam fazer: procurarem eles próprios, e junto dos seus accionistas, os capitais de que necessitam. Até chegaram ao ponto de dizer que não precisavam …
Agora vão pôr o Estado em tribunal!
Ainda todos nos lembramos que foram eles – os mesmíssimos banqueiros – que encostaram o Sócrates à parede e o obrigaram a não adiar mais o pedido de resgate. Foram eles quem, objectivamente, mandou vir a troika: à noite disseram que tinha que ser e, de manhã, cá estavam eles! Agora põem o Estado em tribunal por cumprir aquilo a que está obrigado por força do mesmíssimo acordo de resgate que eles próprios reclamaram…
Ironias!
Olá,
ResponderEliminarComo vai ? Leio o seu blog com prazer.
Hoje em França é feriado. O dia 11 de Novembro é feriado, assinatura do tratado que assinala o fim da primeira guerra mundial.
Entramos, assim, no debate sobre a Europa. E não entendo bem o que escreve, respondendo também aos posts anteriores.
O capitalismo nunca foi nacional. Nem nunca o capital teve pátria. O estado social não foi um dado ou uma doação mas uma conquista que data de 1945. E certos historiadores afirmam que o desembarque na Normandie não é mais que a repressão das revoluções que se anunciavam. Não é Maurice Thorez, secretário geral do pcf, que apela para "um só estado, um só exército, uma só polícia", em 1945? E a revolução de Budapeste em 1956 está mesmo muito próxima de 1945 no tempo...
Quando é criada a Europa, o objectivo é garantir a paz, Os pais da Europa pensam que o capitalismo ( e eu também, lol ) é compatível com a democracia.
Melhor dizendo: Um estado de direito público é necessário para regular as trocas, vendas, etc...
Não é o ponto de vista dos liberais para quem o estado de direito público é a negação da liberdade.
Daí o tratado de Maastriche... E os seus critérios...
Ninguém se lembra deste tratado...
São estes mesmos liberais, cujo porta voz na comissão europeia é, entre outros Barraso, que começam a ter receio da sua política e,também, acho eu, do enorme falhanço das suas ideias. O que pensavam ser liberdade ( e creio que teoricamente eram honestos consigo próprios) torna-se uma ditadura.
Se ainda hoje a França é um país que não depende de ninguém ( quanto à agricultura, indústria ou defesa), não deixa de ser inacreditável que a dívida Francesa aumentasse de 70% ( sim), durante o mandato de Sarkosy, devido aos presentes fiscais e outros paraísos fiscais.
E, talvez, de novo, os teóricos da teoria de estado de direito privado tivessem esquecido que o mundo existe, como também os teóricos da ideia do socialismo num só país esqueceram que o mundo existe.
Desculpe as minhas patetices..
Nuno
Olá Nuno!
EliminarAí foi feriado cá, não o sendo, é um dia comemorado. É o dia de S. Martinho! “Pelo S. Martinho vai a adega e prova o vinho” – é um ditado popular indicador de que o vinho novo está pronto a ser bebido, que vem do tempo em que os cuidados com o vinho eram menores, os tempos da produção para consumo próprio. Hoje já se faz vinho a sério por cá, com longos estágios em madeira.
É o dia das castanhas assadas e de uma feira de grande tradição na Golegã: a feira do cavalo. Por todo o país fazem-se magustos, que é uma cosia que começou com as pessoas à volta das castanhas e da água-pé, mas depressa evolui para diversas formas de festejo. Eu, por exemplo, fui para o Alentejo para um magusto bem comido e bem regado e com fados pela noite fora.
Quanto ao seu comentário de fundo (quais patetices, Nuno? Não há patetices nenhumas!), direccionado a outro texto onde digo que se discute se, hoje, democracia e capitalismo são compatíveis, você toca no problema quando se refere aos equívocos dos liberais de hoje, os neo-liberais. Mas há outras pontas do problema: o poder (ilimitado) dos mercados, a perda de soberania dos países endividados, a liderança da Europa, a emergência de economias poderosas em regimes políticos não democráticos, etc.
Eu acharia muito interessante uma discussão aberta e séria deste tema. Na nossa concepção ocidental e na dos fundadores desta ideia de Europa democracia e capitalismo não só não são incompatíveis como são mesmo indissociáveis. Mas já passaram muitas décadas, caiu o muro de Berlim e veio a globalização. A economia, e principalmente as finanças, sobrepuseram-se à política. A demografia inverteu-se e o crescimento económico mudou-se para outros ares. E tudo isto está a alterar profundamente o mundo que conhecíamos. E pode estar a pôr em causa conceitos que dávamos por definitivos.
Um grande abraço, Nuno.