quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SÓCRATES

 Por Eduardo Louro 


 


Há algum tempo que não se ouvia falar de Sócrates. No passado domingo morreu Sócrates – Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, de seu nome completo – o Dr Sócrates, que antes de se tornar num dos mais brilhantes jogadores de futebol do mundo, se fez médico.


Morreu no domingo, no preciso domingo em que o seu Corinthians se fez campeão – em 1983 dera uma entrevista onde disse querer morrer num domingo, com o Corinthians a sagrar-se campeão – e desde então que se não falava de mais nada. Do seu jogo de calcanhar – conta-se que um dia, num jogo amigável do seu Corinthians, apostou com os colegas apenas tocar a bola de calcanhar, que ganhou a aposta e até marcou um golo -, do fabuloso Brasil do Mundial de 82 - talvez a melhor equipa de futebol de sempre e seguramente a última grande equipa do futebol romântico que nascia, crescia e vivia no Brasil – que encantou o mundo, do seu empenhamento político - verdadeiramente incomum no mundo do futebol – na luta contra a ditadura brasileira, ou mesmo da vida boémia e da dependência alcoólica que lhe haveria de encurtar a vida.


Só se falava do Dr Sócrates, o que deve ter despertado o ego – enorme, como se sabe – do Engenheiro (?), deixando-o roído de inveja. Vai daí e, desde Paris onde parece que se está a dedicar à Filosofia (apesar de fazer uma vaga – e desastrada – referência a qualquer coisa que teria aprendido em Economia, vá lá saber-se onde), resolve fazer prova de vida.


Primeiro recorrendo a uma espécie de conferência - há umas semanas atrás - onde se salientou por afirmar que pagar dívida é ideia de criança. Quis dizer que o estado de endividamento a que levou o país não tem qualquer problema. Simplesmente não tinha ideia nenhuma de pagar. E isto é verdadeiramente o Sócrates português!  


Depois, perante as ondas de choque que isto provocou por todo o país – já que, pelo que pôde ver no vídeo que documentava tão brilhante ponto de vista, na tal espécie de conferência aquilo até mereceu fortes aplausos – resolve verdadeiramente ressuscitar. Regressar ao seu melhor, esclarecendo exactamente como fazia nos seus tempos áureos: “Refiro-me naturalmente ao pagamento integral e imediato da dívida de Portugal. Dizer que a ideia de pagar imediatamente a totalidade da dívida e fazê-lo no próximo ano parece-me realmente uma ideia infantil”.


Palavras para quê? Sócrates continua um artista português


O que é que aquilo que diz tem a ver com a realidade? Onde é que ele ouviu dizer isso? Por que é que continua a pretender fazer-nos a todos de parvos?


Pagamento integral e imediato da dívida? Se estamos como estamos apenas para conseguir manter o mínimo de controlo sobre o crescimento da dívida – ao contrário do que demagogicamente algumas pessoas dizem (que os sacrifícios são para pagarmos a dívida) não estamos a pagar dívida nenhuma, nem sequer a mantê-la, continuamos a aumentá-la, só que dentro dos limites impostos pela troika – como é que seria possível pagá-la integral e imediatamente?


Ó senhor engenheiro – ou economista, ou filósofo ou o que queira – se não tem vergonha nem juízo, pelo menos deixe-nos em paz! No inferno em que nos deixou, mas não nos apoquente mais!


 

2 comentários:

  1. Luís Fiallho de Almeida9 de dezembro de 2011 às 15:57

    Olá Eduardo
    Este é o tipo de gente que merece a nossa indignação. Um dos que contribuiu para a atual situação ruinosa. Pela natureza do aluno e pela forma como tira os cursos, duvido do seu aproveitamento no estudo da filosofia, o que até lhe daria outra clarividência sobre a verdade das coisas, deixando de ser, eventualmente, o mercador convicto de ilusões.


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