Convidado: Luís Fialho de Almeida
Sócrates - não o de Atenas, o filósofo, mas o José, o que em Paris queria ser filósofo, mas agora prefere “doutor em ciência política” – deixava-nos sempre uma nota de esperança e bramava contra os críticos e as oposições do bota-abaixo, os pessimistas que denunciavam o optimismo da mentira e da ilusão. Passos Coelho, empurra-nos para fora da zona de conforto (expressão dele) que nos asseguravam como certa. Mergulhámos numa neblina de responsabilidades difusas, de promiscuidades entre governantes, partidos, secretas, maçonaria e outras organizações, corporações, fundações e empresas próximas do estado. Esta neblina promíscua, absorve na forma de remunerações, pensões e interesses milionários, os impostos e sacrifícios dos humilhados, escravizados e velhos que terão de trabalhar até à exaustão, num processo de sobrevivência sem mérito nem proveito.
Devemos ter esperança, de não perder a esperança, quando Passos Coelho nos manda pegar na mala de cartão, como nos anos do Estado Novo, e fazermo-nos à estrada, levando como farnel o frango assado e pastéis de nata (sugestão do Álvaro), a caminho de Angola (vontade do Relvas). Mas porque não deixar a Pátria desditosa, quando a maioria das empresas do PSI-20 já o fizeram, com a indiferença ou conivência de quem nos desgoverna.
Ter esperança, em clima de austeridade, mesmo quando o Banco de Portugal vai emitindo comunicados manhosos (jornal I) resistindo à perda dos subsídios de férias e de Natal, não pela legalidade que possa existir, mas pela decência de dar o exemplo, já que este Banco deve velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional, apesar de se ter mostrado incompetente nos casos BPN e BPP, e não prescindir das despesas em meios de diversão e recreio para a sua gente, enquanto outros se contorcem na crise. Os eternos privilégios do capital e de quem lhe está próximo.
“Abaixo o capital, para lhe chegarmos melhor” - Um princípio pragmático, mesmo para muitos da esquerda política, que apenas no discurso defendem a redistribuição justa dos sacrifícios e dos benefícios.
Ter esperança, apesar do silenciamento da verdade – a verdade é um veneno - provérbio do kmer Vermelho, citado por Pedro Rosa Mendes, agora silenciado, bem como o programa “Este Tempo” da RDP1
Ter esperança na coesão económica da UE, já que na última cimeira de Bruxelas se começou a reconhecer que só austeridade leva à recessão, e não ao crescimento económico e ao emprego.
A Crédito y Caución revelou recentemente que a insolvência de particulares e das empresas em 2011, teve um aumento de 154% e de 14% respectivamente, face a 2010. A confirmar estes dados, encontrei ocasionalmente, nos últimos dias, pessoas do meu relacionamento que me informaram terem encerrado as suas pequenas empresas. As causas são já conhecidas, entre outras: a falta de encomendas, estrangulamento bancário, incumprimentos de outras empresas que lhes ficavam a jusante na fileira da actividade económica. Deixaram-me uma nota de desconforto e inconformismo, à qual eu retribuí com um cumprimento cordial de que é preciso ter esperança.
“Uma esperança é uma vida nova dentro da vida. Uma esperança morta é uma vida que se mata ….” – António Vitorino de Almeida, em Histórias de Lamento e Regozijo.
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