Por Eduardo Louro
Do nada não pode sair se não nada! Tirar alguma coisa do nada é uma impossibilidade óbvia. Pois, mas em futebolês não é bem assim: há muita coisa que vem do nada! Até golos, imagine-se. É verdade, há golos que vêm do nada!
Umas vezes porque vêm mesmo do nada, outras porque, não vindo do nada, vindo de alguma coisa, há quem não a veja. Por incapacidade de ver ou por má-fé!
O Porto ganhou o jogo desta noite do Porto na Madeira, no campo do Nacional, com o melhor exemplo do que é um golo vindo do nada. Repare-se: a meio da primeira parte um jogador do Nacional, sem qualquer pressão, na faixa direita do campo, com todo o tempo do mundo e com todos os colegas a posicionarem-se para o início de mais uma jogada ofensiva, resolve chutar a bola com força contra um jogador adversário. Podia ressaltar para qualquer lado; o mais natural seria ressaltar para fora do campo, pela linha lateral ou pela final. Mas não, a bola ressaltou para a frente da sua baliza e, perante a surpresa do seu guarda-redes, direitinha ao novo avançado austríaco do Porto, que já ia a correr para o seu meio campo e só teve de se virar e empurrá-la para a baliza. Não conheço melhor exemplo de um golo vindo do nada!
Porque também se diz que uma equipa ganha com um golo vindo do nada quando, por exemplo, está sujeita a enorme pressão do adversário e, num golpe de sorte qualquer, consegue aproximar-se da grande área adversária e fazer golo. Pois bem, foi o que aconteceu no segundo golo do Porto, já no período de compensação.
Quer dizer, uma equipa que não joga nada – e não sou eu a dizê-lo, ouvi esta semana um dos paineleiros oficiais da agremiação portista gritar bem alto: “o meu Porto não joga naaaadaaa” – mantém-se à frente do campeonato com golos vindos do nada. E de fora de jogo!
Não deixa de ser interessante perceber como é que estas vozes oficiais de Pinto da Costa conseguirão articular esta constatação – “o meu Porto não joga nada” – com o mérito, que têm por inquestionável, da liderança. E até da eventual conquista do campeonato. Já avisaram, de resto, que se o campeão vier a ser a equipa que mais e melhor joga, corresponderá à maior das injustiças!
A equipa não joga nada – como eles dizem e todos nós constatamos – mas merece liderar o campeonato. E merecem ser campeões!
Pensam que há aqui algum problema de consistência? Que falta coerência? Que a bota não joga com a perdigota?
Nada disso. Isto é apenas para que se possa dizer que é um campeão vindo do nada, que têm por mais simpático do que, por exemplo, um campeão da fruta. Ou um campeão das viagens ao Brasil. Ou o campeão da Olivedesportos. Ou o campeão da Sport TV. Ou o campeão do guarda Abel. Ou o campeão do Martins dos Santos, do Calheiros, do Pratas, do Duarte, do Proença, do Xistra...
esperava que este tivesse sido um fim de semana mais nacional.
ResponderEliminarDaniel, não deu Nacional porque o Helton "deu" Triunfo!
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