Por Eduardo Louro
Sem ser brilhante, o Benfica ganhou com toda a justiça a Taça da Liga. Voltou a ganhá-la, pela quarta vez consecutiva, repetindo o resultado (2a1) do ano passado. E, também como no ano passado, com aquele sabor amargo que fica quando não se conquista mais nada que a terceira competição (em importância) do futebol nacional!
É uma prova desenhada para ter a final disputada entre os grandes cá do burgo. Foi essa a opção do organizador da prova – a Liga Portuguesa de Futebol Profissional – para a impor ao calendário nacional e, acima de tudo, aos patrocinadores. Que este ano foi o BIC, o tal que ficou com o BPN!
Apesar dos esforços do organizador apenas por duas vezes esse objectivo foi atingido: há três anos, quando o Benfica conquistou a primeira contra o Sporting, no desempate por grandes penalidades; e há dois, quando o Benfica cilindrou o Porto com uma exibição de luxo e uma vitória por três a zero, e fez o bi. E também o bis, porque lhe juntou o campeonato que a deixa no ponto. No tri, o ano passado, o Benfica afastou o Sporting nas meias-finais e o Porto viu o seu lugar na final ocupado pelo Paços de Ferreira. E este ano foi a vez do Benfica afastar o Porto e do Gil Vicente deixar o Sporting em casa (ainda na fase de grupos, em Alvalade) e mandar o Braga para casa, nas meias-finais.
Voltando ao jogo. Não tendo sido brilhante também não foi enfadonho. Não tendo o Benfica feito grande exibição, também não esteve ao nível de Guimarães, Olhão ou Alvalade e há jogadores que estão claramente em fase ascendente, e a aproximarem-se do seu melhor. Ou a deixarem no ar esse cheirinho, como é o caso de Rodrigo e de Witsel (eleito pela organização o homem do jogo). Também Matic esteve muito bem, voltando a mostrar que deveria ter tido muito mais oportunidades durante a época. E Saviola fez o golo da vitória, na primeira vez que tocou na bola – o mesmo que sucedera com Zé Luís, o jogador do Gil que estabelecera o empate minutos antes – ajudando-nos a recordar que se mantém no plantel. É que nem parecia!
E a Liga soube transformar esta final numa uma festa bonita e pouco comum nos jogos de futebol em Portugal. Com coisas muito bonitas, a começar pelas miúdas que o BIC espalhou por todo o lado, até junto aos bancos. E a passar pelo troféu (muito bonito mesmo, olhem lá para cima), mas também pelas alas que as duas equipas abriram uma à outra, por onde passaram os jogadores sob aplausos dos adversários. Pode ser simples encenação, mas é bonito!
Fica-me no entanto uma grande mágoa e uma imensa tristeza pelos infelizes dos sem-abrigo de Barcelos. É que essa grande figura do futebol que é António Fiúza, o presidente do Gil Vicente, já não lhes vai dar champanhe durante uma semana completa. Como é que os sem-abrigo irão poder viver sem champanhe, esse bem essencial que este benemérito fica livre de lhes dar?
Bom, para a história fica o tetra. Não a treta!
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