Por Eduardo Louro
O ministro dos negócios estrangeiros da economia, que é ministro sem ser ministro, sem ganhar o vencimento de ministro e podendo acumular com outros vencimentos, noutras funções em grupos económicos privados que não são incompatíveis com as suas funções de ministro que não é ministro, decidiu que se tem de vender a Cimpor a estrangeiros.
António Borges – é de quem se fala, como já tinham percebido – que já tinha mandado a CGD aceitar a OPA dos brasileiros da Camargo Corrêa, ordem que o banco público acatou e manifestou de imediato, disse no Parlamento que a oferta da portuguesa Semapa não é uma alternativa à OPA dos brasileiros, porque apenas pretende desmembrar a nossa principal cimenteira. Que aquela OPA “é do maior interesse para o país” e que o preço de 5,5 euros oferecido – contra os 5,75 da portuguesa Semapa – é um valor correcto que permite “uma mais-valia à CGD e a todos os accionistas que estavam no mercado”.
Eu, por mim, não percebo sequer qual é o interesse de vender a Cimpor: uma empresa portuguesa, com quadros portugueses, que está presente em doze países. Menos ainda entendo onde é que está “o maior interesse para o país” em vendê-la – vender o resto, para ser mais rigoroso – a um grupo estrangeiro quando um português até oferece mais dinheiro – e com isso com maiores mais-valias para a CGD – para que se mantenha portuguesa. E tenho ainda muita dificuldade em perceber como é que agita um espantalho do desmembramento da empresa, quando ele próprio manifesta ser expectável que a Votorantim - o segundo maior accionista – saia na sequência desta OPA levando consigo alguns activos.
Acredito que sejam limitações minhas…
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