Por Eduardo Louro
Está a chegar ao fim a primeira semana do Tour e, com ela, a primeira fase - dos traçados planos – feita para roladores e dominada pelos sprinters!
Em seis etapas de estrada apenas três vencedores: o inglês Cavendish, por uma vez, o alemão Greiphel, por duas e o eslovaco Peter Sagan – de apenas 22 anos e proveniente do BTT, a grande revelação da prova até ao momento (na foto) – por três vezes, a última das quais hoje.
Mas já com gente importante suficientemente atrasada para poder manter a candidatura à vitória final como, principalmente, o espanhol Alejandro Valverde e o luxemburguês Frank Scheleck - este ano sem o seu irmão mais novo que, sem lhe roubar protagonismo, lhe limita a ambição - ambos vítimas da queda colectiva de hoje.
Esta fase da prova foi acima de tudo marcada pelas quedas. Várias em todas as etapas, e sempre influentes no desfecho final das etapas. E não se pense que são aquelas quedas clássicas, em que os ciclistas são normalmente vítimas daquela mistura explosiva do pavée com a chuva. Nada disso, nem o piso nem a chuva tiveram nada a ver com as quedas que invariavelmente se sucederam em todos estes dias. Foram sempre quedas em bom asfalto, lá para o meio do pelotão. Ou porque a estrada afunilava, ou porque uma ou outra curva apertava mais, ou ainda sem razão à vista, como ontem e hoje.
As principais quedas aconteceram, nos dias anteriores, já nos últimos dois quilómetros e, por isso e face à regulamentação, ninguém foi particularmente penalizado pelo cronómetro oficial. Já o mesmo não sucedeu quanto à discussão da etapa. Anteontem foi Cavendish que, apanhado na queda, não pode discutir o sprint - onde é sempre um dos principais candidatos à vitória – que daria a primeira vitória a Greiphel. Ontem foi Sagan – o miúdo maravilha – que, numa chegada à sua medida, a subir, ficou para trás no meio de bicicletas e ciclistas por terra, impedido de discutir o sprint com o alemão, que repetiu a vitória perante um Cavendish ainda combalido da queda no dia anterior. Hoje chegou a altura de ser ele próprio vítima: diminuído pelo envolvimento na queda do dia – a 25 quilómetros da meta - não conseguiu, numa chegada em terreno plano, bem mais ao seu jeito, evitar que o eslovaco se superiorizasse e fizesse o tri.
Pior ficaram Valverde e Scheleck – este mesmo em mau estado, que se espera seja recuperável – que perderam mais de dois minutos. Tempo que dificilmente será recuperado, numa prova que nos últimos anos se vem decidindo ao segundo…
Cadel Evans é que tem sempre escapado destas quedas, fruto de um trabalho da sua equipa que lhe oferece sempre a protecção máxima bem na frente do pelotão, longe da confusão. Aqui no Tour, como afinal em tudo na vida, a sorte dá muito trabalho!
O australiano parte para esta fase crucial do Tour, que se inicia amanhã com a chegada da montanha e dos contra-relógios, a apenas 7 segundos do surpreendente Cancellara, o suíço que vestiu a camisola amarela no prólogo de sábado passado e que conseguiu manter até hoje – também ele imune às quedas, por gozar da protecção devida a quem viaja de amarelo – a vantagem aí conseguida. Irá cumprir uma semana de amarelo, coisa que nunca lhe terá passado pela cabeça.
Chegou agora a altura de a despir. Já amanhã, muito provavelmente!
Ola'
ResponderEliminar"pavé" ou paralelipido? :-)
E' que esta ultima palavra, uma vez lida, fica para sempre na nossa memoria.
Abraço,
Nuno
É verdade Nuno: é paralelepípedo, porque essa é a forma das pedras que faziam algumas ruas e estradas. Em Portugal hoje há poucas, foram na sua maioria cobertas por camadas de alcatrão. Mas, com a nossa maneira de tudo simplificar, nunca lhes chamamos de paralelepípedo, mas sempre de paralelo: sempre se disse "estrada em paralelos". Pavé - não sei se é essa a designação francesa, mas presumo que sim - foi trazido para Portugal para designar esse tipo de piso por um grande e histórico jornalista: Carlos Miranda, que foi director do jornal A BOLA nos anos 60 e 70 e que foi o repórter desse jornal durante anos a fio no Tour. Acompanhou sempre o Joaquim Agostinho - era mesmo o seu confidente e grande amigo - e trazia-nos as proezas de Agostinho e Merckx narradas através de uma escrita verdadeiramente fabulosa. Eram então tempos de grande jornalismo e de figuras ímpares na arte de bem escrever português, como Vítor Santos, Carlos Pinhão, o referido Carlos Miranda, ou Homero Serpa. Foi assim que Carlos Miranda trouxe para cá o pavé, descrevendo-o como o Cabo das Tormentas dos ciclistas.
EliminarUm abraço e bom fim de semana, Nuno