segunda-feira, 17 de junho de 2013

A greve, pois claro...

Por Eduardo Louro


 


A greve dos professores aí está, certamente com os números díspares de sempre, com os sindicatos a puxá-los para cima e o governo para baixo, como sempre acontece. Mas desta vez há outros números, esses sim objectivos, inquestionáveis, que ultrapassam os dois lados da barricada. Desta vez haverá um número: o das vítimas, a parte dos 75 mil alunos que hoje não fará exames. Será esse que se sobreporá a qualquer outro porque, mais que greve de professores, esta é a greve aos exames!


Todas as greves provocam instabilidade. Introduzem perturbação, porque é essa a sua natureza. Nesta, a perturbação foi introduzida ainda bem antes de ser produzida. Antes de perturbar os exames, e com eles os alunos, esta greve perturbou o governo, o ministro e todo o ministério.


Por isso ministros se expuseram, dizendo o que não sabiam e acabaram desmentidos. Por isso o ministro subverteu a negociação, e em vez de negociar sobre as causas, quis negociar a própria greve. Crato não se preocupou em negociar sobre a matéria reivindicada, para impedir a greve.  Nem, ao que parece, sequer em negociar. Preocupou-se apenas em alterar a data da greve, para não ceder na data dos exames: tudo estaria bem se a greve passasse para Julho ou Agosto. De preferência entre a meia-noite e as cinco da manhã!


 

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