Por Eduardo Louro
Vá lá saber-se por quê, o primeiro jogo da segunda jornada foi disputado com a primeira ainda por concluir. Provavelmente porque sim. Ou porque em causa estava o Brasil…
À hora que lá é uma da tarde iniciou-se o primeiro jogo do grupo H. E a Bélgica, de quem se espera muito, desiludiu. É certo que venceu – e nem se pode dizer que não convenceu – a Argélia, mas foi com muita dificuldade e à custa de um dos jogadores que menos aprecio: Fellaini. Entrou, e cinco minutos depois, marcou o golo do empate que a equipa, desinspirada, lenta e sem ideias, não encontrava forma de alcançar.
Dez minutos depois do golo do empate, a outros 10 do final do jogo, num contra-ataque a Bélgica fez o golo da vitória. Merecida, porque mesmo que não confirmasse – nem nada que se parecesse – as expectativas que a categoria individual dos jogadores justifica, foi claramente superior à selecção do Norte de África, que não apresentou grandes argumentos.
Brasil e México iniciaram a segunda ronda, antes de concluída a primeira, como comecei por dizer. E deu no segundo zero a zero do campeonato, com surpresa, porque ninguém esperava que o México batesse como bateu o pé aos anfitriões e principiais candidatos. Mas nem por isso deixou de ser um bom jogo, mesmo que a equipa de Scolari continue sem encantar. Pior que não encantar é, mesmo com tão bons jogadores, não ter soluções para os problemas que os adversários lhe vão levantando…
No – atrasado – fecho da primeira ronda a Coreia do Sul, apurada para o Brasil com enorme dificuldade, superada pelo Irão, e recentemente goleada (4-0) pelo Gana, surpreendeu. Raramente foi inferior à Rússia, do mestre Capello, que só a reacção ao golo sofrido (um frango enorme de Akinfeev) evitou que repetisse as habituais decepcionantes participações nas fases finais. Chegou ao empate, em consequência dessa reacção, também promovida a partir do banco, com Capello a chamar ao jogo três dos melhores jogadores russos (Dzagoev, Kherzakov e Denisov), por quem certamente não morrerá de amores.
Poderá dizer-se que a primeira jornada confirmou a Alemanha como a melhor equipa da competição. Depois, uma Inglaterra excitante, uma Itália muito forte, uma França de grande condição, como se diria por lá, e uma Holanda tacticamente surpreendente, a prometer muito. A Bélgica não confirmou as credenciais de grande selecção que trazia na bagagem, mas não hipotecou nada. Nem talvez a confiança!
Avaliado à luz da jornada de arranque o treinador argentino é o pior, mesmo pior que Paulo Bento, o que não é fácil. Se não mudar de rumo, a Argentina não irá longe. Se abrir os olhos, pode ser...
As grandes decepções foram naturalmente as selecções ibéricas. Não é por acaso que apresentam as equipas mais velhas. E o Uruguai, quarto classificado há quatro anos, que ainda precisa de Forlan. O Brasil deixa a ideia que o drama de 1950 poderá repetir-se, mas ainda antes da final do Maracanã...
Pelo que se vai vendo, para que o factor continentalidade continue a imperar – na América mandam os americanos, nunca uma selecção europeia venceu no(s) continente(s) americano(s) – muita coisa vai ter de mudar. Uma delas é o treinador argentino… A outra é o futebol de Scolari!
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