Por Eduardo Louro
Poderia sempre dizer-se que não há explicação. Que a hecatombe que se abateu sobre a selecção brasileira é verdadeiramente sobrenatural. Impensável: cinco golos num quarto de hora. Coisa inédita em campeonatos do mundo: nunca à meia-hora de jogo uma equipa estivera a perder por 5 a 0.
E no entanto isto percebe-se. Isto é Scolari. Isto é Nossa Senhora do Caravaggio. Isto é a exacerbação da emoção e o desprezo pela competência!
Como aqui se foi dizendo o Brasil não jogava nada. Mesmo deixando de fora da convocatória grandes talentos, de que Lucas Moura é apenas um exemplo, a Scolari não faltaram jogadores de grande talento. O que lhe faltou foi capacidade para os pôr a jogar futebol!
Víamos e não acreditávamos naquele futebol sem meio campo, de pontapé para a frente e fé em Deus. Fé… Muita fé. Apenas fé!
Sem qualquer racionalidade, com todos as fichas no lado emocional do jogo, a selecção brasileira era um balão prestes a rebentar à primeira contrariedade. Percebeu-se isso claramente no jogo com o Chile, na descarga emocional que se sucedeu ao sucesso nos penaltis!
David Luiz é provavelmente o jogador que melhor simboliza este Brasil emocional e incompetente. Hoje não o foi apenas uma vez mais, hoje foi-o em toda a expressão dramática!
A canarinha foi humilhada, goleada como nunca ninguém tinha sido, em casa e nesta fase da prova. O Brasil está em estado de choque, o país apostou tudo – certamente de mais – neste mundial, e a sociedade brasileira reagiu. Violentamente, muitas vezes… O hexa poderia não ser um desígnio nacional, mas era certamente a válvula de escape de todas as tensões sociais. Que a frustração, ao invés, provavelmente irá potenciar. Com consequências imprevisíveis!
Que dizer da Alemanha, que simplesmente fez isto tudo?
Pouco. Que deu sete, mas poderiam até ter sido mais. Que foi o que tem sido – a melhor equipa do mundo nesta altura. Simplesmente perfeita, sem falhas. E que, para que tudo fosse perfeito, Klose, aos 36 anos, tornou-se no maior marcador de sempre em fases finais, com 16 golos. Superando os 15 do brasileiro Ronaldo…
Falou-se que este jogo seria a final antecipada deste campeonato do mundo. Olha se fosse… A Alemanha já era a campeã. Mas não vê forma de o não vir a ser!
Pois é amigo Eduardo, explicação haveria sempre, mesmo para os mais optimistas dos Brasileiros.
ResponderEliminarO que se passou, foi um vendaval de eficácia, objectividade, alguma sorte (claro!) e muita muita vontade de vencer! Uns têm Ronaldo, outros Messi, e a Alemanha tem uma equipa que rema toda para o mesmo lado, qual Orquestra de Viena afinada num só diapasão!
A diferença entre querer ganhar e aspirar a ser-se campeão, ficou ontem bem espelhada em campo.
Já te tinha dito, amigo Eduardo, que a Alemanha é, neste momento, a melhor Seleção deste Campeonato. Parecem aqueles motores automóveis produzidos naquele País: simples, eficazes, objectivos e roncam racionalmente loucos se os picarem!
Scolari...bom, nem a Senhora do Caravaggio lhe vale, porque hoje terá uma Nação inteira a pedir-lhe explicações! Faz lembrar aquela dia, pós-final Euro2004, não é?...
Um abraço Eduardo!
Assim é, Eduardo. Um abraço!
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