FOTO: LUIS FORRA/LUSA
Sócrates foi visitar os amigos que deixou na prisão, em Évora. E os guardas, que tão bem o trataram quando por lá esteve: uma obrigação moral, disse ele. Nada de jogadas...
Suponhamos que sim, que Sócrates não resiste a obrigações morais, que é movido por um inabalável apelo interior ao cumprimento do dever e por uma conduta moral acima de qualquer suspeita. Eu sei que é difícil, mas façamos esse esforço.
Já está?
Então por que é que tem de haver sempre jornais e televisões à volta? Por que raio não consegue reservar-se no cumprimento das suas obrigações morais? Por que diabo não consegue manter estes seus tão nobres sentimentos na restrita esfera da sua privacidade?
É simples, a resposta: para que esta fotografia pudesse existir e correr mundo. A imagem que faltava - a sair da prisão, pelo seu próprio pé, altivo, a deixar aqueles portões para trás - que nada tem a ver com a sua saída verdadeira saída, num carro celular a caminho da prisão domiciliária. A imagem que, para Sócrates, não tem preço. Pela qual estaria disposto a pagar o que fosse... Conseguiu-a de borla!
Não sei se Sócrates está convencido que somos todos parvos. Se calhar, está... E lá terá as suas razões... Mas já não há paciência para estes jogos!
Eduardo Lobo,
ResponderEliminarQue não tenha paciência, tudo bem, mas, vir armar-se em virgem ofendida, quando enviesadamente, elogia ou faz vista grossa a casos do mesmo calibre, não me parece de muito intelegente.
É que hoje em dia já pouca gente acha piroso, o dizer-se, estou aqui!
Cristiano Ronaldo fá-lo, o Cavaco fá-lo, o Marcelo fá-lo e o Eduardo Lobo fá-lo também, e não é por isso, que deixo de dizer, o Eduardo Lobo que tem uma escrita interessante!
É lá... A blogosfera é isto mesmo (é como o futebol - também "é isto mesmo"). Quase 3 anos depois, as coisas ainda mexem...
EliminarObrigado por "isto mesmo". Mas olhe, eu não me armava em "virgem ofendida". Apenas dei a minha interpretação da coisa, como apenas faço sempre. Com o risco de ser "enviesada", mas seguramente sempre enviesada quando a perspectiva é a de quem olha por ângulo diferente E nessa minha interpretação não se trata de um mero "estou aqui". "Vejam-me". É um "estou aqui", "vejam-me como eu quero ser visto". E já agora, o meu nome é Eduardo, mas o meu apelido é Louro. Não sou lobo, nem com pele de cordeiro... Um abraço para si.