Decididamente as sondagens não falam inglês. Milhões de europeus, mesmo os mais notívagos, como eu, foram dormir descansados, convencidos que a coisa tremera mas não caíra. Quando acordaram, nem queriam acreditar: afinal caíra mesmo. Depois de termos ouvido o senhor Nigel Farage dizer que perdera, mas que tinha ganho à mesma, ninguém imaginaria que o resultado pudesse ser outro que não a vitória do Bremain.
Mas foi, e o Reino (des)Unido está definitivamente fora de uma União Europeia, onde nunca esteve com grande convicção. As consequências serão muitas. A maior parte delas não as conseguimos ainda vislumbrar.
Para já, os mercados financeiros estão em pânico. As bolsas caem por todo o mundo e a libra recua para aí uns 30 anos, o que não quer dizer que fique mais nova. A Escócia, claramente pró-europeia, e que há pouco - e por pouco - decidiu não abandonar o Reino, pode agora fazê-lo para não abandonar a União, que lhe consome o scotch. A Irlanda do Norte, do mesmo lado, pode seguir-lhe o exemplo. Mas também a Finlândia e a Dinamarca, e até a França, podem seguir o exemplo dado por britânico, mas que é inglês e galês.
Não é um novo muro de Berlim que está a cair. Pode bem ser mais do que isso. Agora com uma capacidade devastadora potenciada por uma crise económica e financeira com janela aberta para uma grande recessão.
Há coisas com que se não pode brincar. Essa é que é essa!
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