Os dados já conhecidos não apontam assim tão claramente para um ataque terrorista formal - deixem passar a expressão - do género dos que têm vindo a suceder-se em França, na Bélgica ou na Turquia. Não tanto, mas também, por não ter sido ainda reinvindicado por nenhuma das organizações terroristas islâmicas. Nem, mas também, por divergir no modus operandi: para tudo há uma primeira vez, e o método nem foge muito do utilizado pela Al Qaeda, em particiular, em território árabe.
Sabe-se que o autor de tão ignóbil acto de morte e terror é cidadão francês, de origem tunisina, com cadastro criminal, de roubo e violência.
O terrorismo não se limita a recrutar, treinar e preparar operacionais para levar a cabo a sua estratégia de terror. Vai muito para além disso, fazendo de cada uma das suas acções bem sucedidas uma semente lançada no campo fértil da marginalidade e do crime. Milhares de jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro, depois de arrastados para o mundo do crime, facilmente se deixam seduzir pela violência terrorista. E rapidamente se transformam em terroristas por conta própria, que encontram no terror forma de vida. E de morte, que também é forma de dar a volta à vida!
Se já era difícil vencer o terrorismo, a partir de agora, rompida esta fronteira ténue com a marginalidade e o crime, a missão torna-se ainda mais difícil. Esta sim, é a fronteira que nunca deveria ter sido aberta.
Sinceramente, Eduardo, conheço alguns jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro que não enveredaram pelo terrorismo. Isto tem a haver com a própria personalidade de cada um, com pura maldade.
ResponderEliminarOu simplesmente com o desespero de cada um, com a situação de cada um. A pura maldade não existe, mas cada pessoa reage a problemas (umas vezes problemas mais graves do que outros) de diferentes maneiras. No fundo, somos todos boas pessoas até ao dia em que deixamos de o ser.
EliminarNão me parece que seja isso que se possa concluir das minhas palavras, Dylan. Pelo menos não foi isso que eu quis dizer. Quando escrevi "...fazendo de cada uma das suas acções bem sucedidas uma semente lançada no campo fértil da marginalidade e do crime" não estava a dizer o que interpretaste. O que escrevi, é que as acções terroristas, para além das consequências próprias imediatas, ganham operacionalidade na marginalidade e no crime sem necessidade de recrutamento. Como me parece ter sido demonstrado em Nice.
EliminarE quando deixarmos de o ser ...
EliminarLá por pôr um gato no forno não dele um biscoito.
ResponderEliminarMas faz gato assado... Ou assado de gato.
EliminarNão querendo, de maneira alguma, ser advogado do diabo,...”Os devaneios da cabeça têm muito que se lhe diga”...
ResponderEliminar...”jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro...” As “organizações criminosas”, não fazem destes jovens inadaptados, terroristas natos, embora tenhamos que admitir que o terreno é fértil... Mal de nós, se todos os marginalizados, inadaptados, segregados enveredassem pelo mundo do terrorismo ou até mesmo do crime.
Por outro lado, também, não nos podemos esquecer, da forma como, hoje em dia as sociedades estão estruturadas, em que tudo são números, e tudo é descartável, as pessoas não possuem modelos sociais dos quais se identificam, sentem-se marginalizas, deslocadas, sem identidade, perdidas, e então não tem nada a perder, e desta forma a situação pode se tornar explosiva...
Os jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro, são sem dúvida, mais voláteis, influenciáveis, muitas vezes, até já possuem uma mente conturbada, pela educação e pelas vivências do meio em que estão inseridos, logo facilmente moldáveis.
Não existem, verdades absolutas, e todos nós, temos os nossos fantasmas na cabeça. Já por varias vezes, temos observado pela comunicação social, pessoas que têm uma vida aparentemente normal, e de repente, sem nada nem ninguém, o prever cometem autênticas loucuras imagináveis...Impensáveis pelas famílias e amigos mais próximos destes...A besta, existe mesmo, e por qualquer circunstância, um dia poderá imergir de dentro de nós...Não é pecado admiti-lo, pois quando admitimos uma possível situação, mais rapidamente, estamos preparados para a enfrentar, e até mesmo domina-la.
Posto isto, é urgente olhar para este estigma social, com outros olhos, fingir que nada se passa, e nada se vê, é sem dúvida, o caminho para a desgraça.
Sim, é de fronteiras que se trata.
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