
A morte de dois jovens militares em exercícios de treino dos Comandos não gerou apenas ondas de consternação pelo país fora. Lançou também uma vaga de discussão, mais uma, à volta das tropas especiais, e dos comandos em particular.
E já se sabe como é: a esquerda tem umas contas velhas a ajustar com os comandos, e não perde uma oportunidade para sacar do lápis e do papel; a direita … pelo contrário. E já se sabe que não gosta nada de nada que mexa com os equilíbrios da estrutura militar. O conservadorismo é também isso…
Como é fácil de perceber, rapidamente o debate passou a dividir-se entre os que defendiam a simples erradicação das tropas especiais e os que as entendem intocáveis e indispensáveis ao país. As causas que estão na origem da disparatada e inaceitável perda de vidas jovens, em circunstâncias que dificilmente poderão ser consideradas acidentais, é que não geraram discussão.
Não sei se o país precisa de forças especiais, ou de elite, nas forças armadas e em particular no exército. Não tenho dúvidas que são imprescindíveis na Polícia ou na GNR, mas, no exacto contexto da Defesa em Portugal, não tenho idêntica certeza no que se refere ao exército. Tenho porém uma convicção: é que se o debate se justificar, terá que se justificar por outras razões que não a morte destes dois jovens.
O debate que estas mortes têm de suscitar é em torno das condições de treino que são impostas aos jovens que têm por opção, e diria até por sonho, virem a ser comandos. Para prevenir que mais jovens voltem a perder a vida nestas condições, talvez o debate deva ter por objectivo evitar que instruendos obcecados por uma boina, sem respeito pelos seus próprios limites, se cruzem com instrutores obcecados em negar limites, que tudo o que respeitam é uma boina.
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
Também em minha opinião é discutível a necessidade de Portugal ter uma força militar especial tipo "Comandos", concordo que a GNR ou Policia estes sim, devem ter uma força capaz de uma intervenção rápida.
ResponderEliminarFui militar após Abril, ainda durante o serviço obrigatório, mas, foi o suficiente para perceber o quanto tudo a este nível é tratado de forma "naif".
Muitas atitudes de "eu quero, eu posso, eu mando"!
Voltando ao tema, e relembrando os muitos inquéritos "prometidos" com especial enfase ao inquérito" sobre os procedimentos do curso.
Ontem vi nas noticias de que o curso de comandos foi retomado! Onde estão os resultados do inquérito?
Não serão mais uma vez os interesses instalados a tentar "lavar" mais um caso.
Não será mais um inquérito onde "a culpa morre solteira"?
Me parece que sim, como habitual neste país. Infelizmente.
Sim, vamos mais uma vez proteger a sensibilidade das pessoas. Como em qualquer profissão, há riscos. Os treinos para estas unidades têm de ser duros de forma a prepara-los para a situação real. Quem nao gosta, que escolha outra forma de laboração.
ResponderEliminarPartidos de esquerda?
ResponderEliminarhttp://www.pcp.pt/acerca-dos-acontecimentos-que-envolveram-comandos
"gostei" do comentário da "responsavel" do bloco de esquerda quando disse que portugal esteve perto de uma dezena de anos sem comandos e não tivémos qualquer problema: tem razão e também estivémos centenas de anos sem bloco de esquerda sem um único prubrema . . .
ResponderEliminarToda e qualquer força especial é necessária em qualquer país, pelas mais diversas razões.
ResponderEliminarNeste momento em Portugal o ingresso nas forças armadas é voluntário, logo quem entrar sabe ao que vai.
Indo mais longe, deveria ser obrigatório que todo o cidadão/ã cumprisse obrigatória e simplesmente a recruta do serviço militar, pois isso iria contribuir para uma melhor consciência, a todos os níveis, dos portugueses.
As pessoas falam sem conhecer os factos, talvez porque nunca tiveram a chance de os conhecer, não se justifica que alguém perca a vida por um sonho, porque sonhos existem muitos.
ResponderEliminarMorre diariamente gente inocente na estrada porque outros conduzem mal, morre-se no hospital, mas não é culpa dos médicos eles fazem tudo para nos salvar a vida.
Quase sempre somos nós seres humanos, que não desistimos nem sabemos parar quando já é o nosso limite.
..."condições de treino que são impostas aos jovens que têm por opção"...
ResponderEliminarNão terá sido o sonho ou talvez obsessão de serem comandos, que os levou à morte? Golpes de calor? Estranho...
Se assim fosse, o Alentejo estaria vazio e não havia ninguém nos trópicos.
Muito se tem falado sobre a morte destes jovens, que é de lamentar.
Mesmo havendo muito calor, sendo o primeiro dia de treino, foi muito estranho o que aconteceu...
Infelizmente tem-se visto por aí muitos casos de pessoas que andam a praticar certos desportos, que sendo aparentemente saudáveis de repente se sentem mal têm problemas cardiovasculares ou caiem e morrem. Depois... descobre-se ou ouvem-se zunzuns que ingeriam suplementos, que são consumidos para obter bons resultados ou resistir...
Tais produtos, no geral obrigam a ingerir muita, mas muita água, caso não o façam podem provocar graves consequências.
Devido à polémica que surgiu, seria bom que se soube-se qual a verdadeira causa da mortes. Caso haja responsabilidades de terceiros, eles sejam responsabilizados, mas se houve imprudência dos falecidos, que tais mortes, sirvam para se fazer campanhas para alerta, para o perigo que é ingerir certas substâncias... que se vendem por ai livremente.
Não é só o tabaco, o álcool que matam.
Concordo plenamente com este comentário.
EliminarSou um ex-combatente, estive na Guiné. Estive exposto a temperaturas superiores ás registadas no dia da tragédia. Estive em situações muito mais stressantes que as dos comandos em instrução. Os nossos alvos eram reais e prontos a responderem em qualquer altura inesperada. Atravessei bolanhas a céu aberto com temperaturas perto dos 50º, sedento e exausto e nunca vi ninguém morrer por excesso de calor, vi por outras circunstâncias, mas, por calor a mais nunca vi nem tenho conhecimento que tal tenha acontecido...........
Mário Pinto
Ex.Furriel Miliciano
CART. 2519
Tenho uma e apenas uma opiniao sobre este tema...
ResponderEliminarUm Instrutor tem e deve saber os limites do(s) seu(s) instruendo(s); tem e deve saber avaliar e analisar todo o processo ao longo de uma formacao, em especial uma formacao desta natureza de caracter fisico e psicologico elevadissimo...
Lamento mas os Instrutores que conduziram esses recrutas sao incapazes e desapropriados para exercer tais funcoes, deixem estar os comandos onde estao, pensem em formar Instrutores capazes.