sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Intrujices*

Imagem relacionada


 


Sabemos que somos gente de grande fascínio pelos graus académicos. Somos um país de doutores e engenheiros. Quem não for senhor doutor, senhor engenheiro ou senhor arquitecto não conta.


Então na política não conta mesmo. Podia lá ser ... um deputado, ou um ministro, que não é doutor? Ou engenheiro?


Não pode!


Mas há um problema. É que a gente da política faz-se nas organizações partidárias. E como é de pequenino que se torce o pepino, começam novinhos nas jotas a subir os degraus que os hão-de levar lá acima – percurso que lhes rouba o tempo mas, acima de tudo, a vontade de estudar.


Tivemos um número um de um governo que começou a cair em desgraça por pretender parecer engenheiro. Depois pretendeu parecer muitas outras coisas, todas bem piores. E bem mais graves!


Logo a seguir foi o número dois – mas com ar de número um – do governo seguinte. Também não resistiu a querer parecer doutor, e acabou mal. Ou talvez não, para esse nunca nada acaba mal.


Vergonhas passam-nas os outros, os que a têm.


Podia pensar-se que depois destes maus exemplos. a gente da política tivesse metido na cabeça que não vale a pena intrujar no currículo. Mas não. Há quem não consiga resistir.


Foi o que aconteceu com um adjunto do primeiro-ministro. Constatou-se que tinha feito quatro cadeiras de uma licenciatura em engenharia: a primeira em 1998, e a última em 2002.


Ora aí está: quatro anos. Com Bolonha, já dá – deve ter pensado!


Já se demitiu. Obviamente!


 


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

1 comentário:

  1. à dúzia é mais barato...28 de outubro de 2016 às 06:15

    Vá lá , vá lá. Esse (idiota) ainda fez duas cadeiritas e diz que é engenheiro. Agora o Relvas cá pra mim bate todos os recordes.
    Faz "cadeiras" em folclore e apresenta certificados(?).
    Merece uma estátua junto do monumento erecto do Parque Eduardo VII.

    ResponderEliminar

Há datas que ninguém esquece

Há datas assim!