O Banco de Portugal acaba de confirmar que é dos americanos da Lone Star - um fundo de investimentos que já fez vários negócios em Portugal no ramo imobiliário, entre os quais a compra, logo seguida da venda, de alguns centros comerciais, e onde detém a gestão da Marina de Vilamoura – a melhor oferta para a compra do Novo Banco.
A oferta deste Fundo americano, sem tradição nem experiência no negócio bancário, mas que faz das suas margens – nas bordas ou na vizinhança do sector financeiro - o seu espaço privilegiado de manobra, é de 750 milhões de euros. Exatamente: a melhor oferta pelo que era BOM do BES, pela parte sã que o Banco de Portugal lhe arrancou para, com mais 4.900 milhões de euros de dinheiro fresco do Estado, através do Fundo de Resolução, criar num fim-de-semana o Novo Banco, é agora de 750 milhões de euros. Mas…
Mesmo assim, há um mas: Esta oferta só é válida se o Estado prestar uma garantia que cubra a avaliação da componente imobiliária do negócio. Isto é, se o imobiliário do Novo Banco – que, recordo, é a verdadeira área de negócio do Fundo – não render o valor por que está avaliado, o Estado repõe a diferença.
Não se sabe se o governo aceitará ou não esta proposta. Nem isso é agora o que mais importa. Sabe-se que isto é o melhor que o Banco de Portugal teve para apresentar. Depois de ter aceitado ser a cobaia do BCE para a experiência da resolução bancária. Depois de ter gasto centenas de milhões de euros em assessoria internacional para o negócio, e depois, por fim, de contratar Sérgio Monteiro, o Secretário de Estado dos Transportes do último governo, por um salário de 30 mil euros por mês, para vender o banco...
Sabe-se que o melhor que o Banco de Portugal conseguiu pelo banco não chega sequer para pagar o que gastou para vender. E sabe-se o que é que aconteceria a qualquer vendedor que, no final da jornada, chegasse à sua empresa com um relatório em que só o valor das suas despesas já fosse superior ao valor das vendas que realizara. E ainda a pedir uma garantia bancária para cobrir todos os riscos do negócio do seu cliente.
Mas todos sabemos que o ridículo não mata. Que não se passa nada. E que são todos bons rapazes…
* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister
Sem comentários:
Enviar um comentário