segunda-feira, 24 de julho de 2017

Já não há paciência...

Capa do Expresso


 


O Expresso - já é costume -  lançou a confusão. Uma vez lançada meteu-se a caminho, que palmilha a passo acelerado sem saber nem onde nem quando vai parar. 


Os mortos do Pedrogão eram mais, muitos mais que os 64 divulgados, começava o Expresso por adiantar. A direita entrou em êxtase. Passos nem cabia em si, profundamente convencido que é na desgraça que encontra a salvação. O governo escondia a lista oficial dos mortes porque, claro, numa lista é fácil contar.


Com a lista que o governo não quer divulgar, era canja: chegava-se aos 64 nomes e e a lista continuaria por ali baixo, alegre e contente, como se em vez de mortos estivéssemos a consultar uma lista de premiados da Santa Casa.


Então o Expresso tem  acesso à lista e conta, um a um. Dá 64. Não, esperem: dá 64 por causa dos critérios, que excluem as mortes indirectas. Fossem outros os critérios de lá teríamos de certeza muitos mais que os 64. Fossem outros os critérios e teriam contado com aquela mulher atropelada, a fugir do fogo. Fossem outros os critérios e, contando esta mulher, seriam 65. Muito mais que 64!


Acredito que haja quem ache isto interessante. Mas serão certamente (também) muitos mais os que já não têm paciência para isto...

2 comentários:

  1. Não há mesmo paciência, a tal ponto que até para concordar consigo tive de fazer um esforço adicional, pois que a coisa - suscitada se não estou em erro na newsletter do Expresso desse dia pelo Director, creio que Pedro Santos Guerreiro (alguém que há uns tempos, antes de chegar onde agora está, me parecia pessoa séria, incapaz de alimentar e, pior, desencadear não inocentemente campanhas sectárias destas) - não se ficou por ai. Nesse mesmo dia, li, não sei já onde (a net é de facto um mar imenso e já não consigo registar tudo à risca) um artigo fundado na opinião, colhida pelo(a) jornalista, de uma senhora que se terá metido à estrada e andou de terra em terra a ouvir pessoas (que não eram identificadas no artigo) que lhe diziam que faltavam mais não sei quantas pessoas, e por aí fora. Na opinião dela, dada como factualmente fundada, era já pela ordem da centena.
    Isto vai ser assim e cada vez para pior até às eleições, que a Direita deseja manifestamente alargar às legislativas, para o efeito tentando criar um clima tal que surja aí uma revolta das populações. Como costumo dizer, apoio mediático não lhe falta nem lhe faltará. Resta o bom senso das pessoas para se não deixarem iludir com tais manobras, que de tão insistentes e exageradas, são logo de desconfiar.

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    1. Nem mais, António. Concordo consigo sem qualquer esforço.

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