quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Uma greve difícil de perceber. Ou talvez não...

 



 


A Autoeuropa está parada. Os trabalhadores estão em greve.


A Autoeuropa é uma parte significativa da economia nacional. O novo modelo que vai produzir - lembram-se do que foi feito para assegurar a sua produção na fábrica portuguesa? - representa 24% das exportações de um ano.


Tivéssemos no país 10 "Autoeuropas" e Portugal seria uma das grandes economias mundiais e uma das mais competitivas. Mas seria também um país mais desenvolvido, e uma sociedade mais equilibrada. A Autoeuropa promove mais riqueza, mais competitividade e melhor emprego. Emprego de qualidade.


Imagino que trabalhar na Autoeuropa seja um motivo de orgulho para os seus trabalhadores. Foi sempre essa a ideia que o carismático líder da Comissão de Trabalhadores da empresa, António Chora, nos deixou. Os trabalhadores gostam de ser reconhecidos, mas também gostam de ser produtivos, e de perceber a dimensão da sua participação no colectivo que somos. 


Não quer isto dizer que a Autoeuropa seja imune a qualquer espécie de conflitualidade laboral. Houve dificuldades em muitas ocasiões, mas nunca deixou de ser um exemplo de paz laboral e diálogo social.


Não percebo esta greve. Não fosse ela acontecer logo depois da saída para a reforma do presidente da Comissão de Trabalhadores, não fosse ela surgir num contexto de alteração da relação de poder entre os sindicatos e aquele orgão de representação dos trabalhadores, diria que é imitação minha. Assim,  talvez não...  

2 comentários:

  1. Não nos podemos esquecer que houve acordo entre s empresa e a comissão de trabalhares, que se viria a demitir por ser desautorizada num plenário.
    Dito isto citando um delegado sindical, para quem trabalhar só sábado é penoso (sic), estes trabalhadores, que não atravessaram a crise, nem estão a reclamar condições salariais, asseguradas desse o início do processo e acima do que seria exigível, deveriam ser proibidos durante o fim de semana de ir às compras, abastecer o carro de combustível, ir ao cinema, ir a restaurantes, etc. É que os profissionais que lhes asseguram esses serviços usufruem de condições salariais bem mais gravosas.
    Não falo de quem lhes assegura o fornecimento de energia eléctrica ou sinal de TV, porque nesses casos as condições serão semelhantes, mas os profissionais menos egoistas.

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    1. Não podemos exactamente esquecer o que refere: a transferência do poder da Comissão de Trabalhadores para os sindicatos, que aproveitaram a primeira oportunidade para impôr "a sua ordem". A "nomenklatura" sindical não tolerava estar afastada dos centros de influência numa empresa com esta importância.

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