Não há fim de semana sem grandes entrevistas, sempre comungadas por uma estação de rádio e um jornal, que as televisões, depois, amplificam até à exaustão.
Neste fim de semana chegou a vez de Campos e Cunha (Antena 1/Jornal de Negócios) e de Assunção Cristas (TSF/Diário de Notícias).
Claro que - ladies first - a senhora continua em euforia eleitoral, que provavelmente manterá enquanto não lhe disserem que o resultado eleitoral do seu partido foi um verdadeiro desastre. Mas fez uma revelação importante para a clarificação da situação política em Portugal, quando disse que no CDS não há qualquer espaço para acordos com o PS.
Pode parecer que não tem nada de novo, ou que nem sequer seria de esperar outra coisa, mas não é bem assim. O CDS de Paulo Portas era um partido pouco fiável, à imagem do líder, sempre a correr de um lado para o outro, à procura da melhor oportunidade para reservar um lugar à mesa do poder. Tão pouco fiável que vestiu muitas vezes a pele da traição: Marcelo que o diga.
Com a oficialização desta posição de princípio, Cristas disse claramente ao PS que não tem mais espaço para alianças fora do dos seus actuais parceiros, e clarificou de vez o espectro político. O que é sem dúvida bom: em política não há nada melhor que a clarificação!
Ao contrário, não há nada pior que o ziguezague oportunista, que se percebe na entrevista de Campos e Cunha. Dizer, referindo-se à política económica do anterior governo, que "o Tribunal Constitucional salvou a economia", sem se importar que a toda a gente se lembre que sempre esteve na primeira linha de defesa do modelo de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, é apenas mais do mesmo.
Mais do pior que os piores têm para dar ao debate político!
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