Já toda a gente sabia que a EMA - não, não é a Dª Ema do quinto esquerdo, é a Agência Europeia do Medicamento, no seu acrónimo original, brexitado - não viria para o Porto. Toda a gente sabia, e toda a gente sabia que era Milão a cidade escolhida, o que explica o comunicado da Câmara Municipal do Porto a dar os parabéns a Milão, que só mais tarde corrigiria para Amesterdão.
Amesterdão, como acabou por ser no sorteio de desempate, ou Milão, como sempre se dissera, pouco nos interessa agora para o caso. Já interessa um pouco mais que todos os três edifícios propostos na candidatura nacional tenham sido chumbados em quase todos os requisitos técnicos. Não importa muito se havia muita gente que acreditase na candidatura portuguesa - sabe-se agora que o Presidente da República não acreditava, seja porque não acreditava mesmo, ou porque tem horror à derrota - mas importa perceber se o primeiro-ministro, tão rápido a ceder à pressão de Rui Moreira, acreditava.
É precisamente por isso, porque António Costa percebeu que isso importava que, ontem, quando ninguém tinha qualquer dúvida sobre o destino da candidatura portuguesa, fazia declarações públicas que, mais que de campanha, eram de fé inabalável no sucesso da proposta do Porto. E que, quando toda a gente percebia as limitações da candidatura - e não faz agora sentido falar do que teria sido o potencial da candidatura de Lisboa -, António Costa tenha reafirmado que era a melhor e que a Europa nem sempre faz as melhores escolhas.
É isso: António Costa pretende que acreditemos na sua profunda convicção nas virtudes desta candidatura. Lá saberá por quê. E nós também...
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