
António Costa foi claro a propósito do jantar da Web Summit no Panteão Nacional. Classificou-o de "ofensivo", numa utilização “absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”. Em nota enviada à imporensa, o gabinete do primeiro-ministro declarou "ofensivo utilizar desse modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional”.
Desde logo a generalidade da imprensa, seguindo de resto a pista do secretário de Estado da Cultura do governo anterior, que permitira aquela utilização e fixara a respectiva tabela de preços, entendeu que a coisa não podia ficar bem assim, e que António Costa teria de ter as suas responsabilidades. Tivera dois anos para alterar a lei, apressaram-se os jornais...
Logo depois, agora seguindo a pista da senhora que é responsável pelo monumento, que fez o negócio, que nem pediu desculpa a ninguém nem se demite, relativizou: o Panteão Nacional já tinha sido usado para fins idênticos em várias outras ocasiões. Para, logo a seguir, e como o jornal i traz hoje à capa, mas que podemos ver em todos os jornais e televisões, identificar António Costa como "padrinho" ou mesmo promotor de uma dessas ocasiões: um jantar organizado em Setembro de 2013 pela Associação de Turismo de Lisboa, de que António Costa era, por inerência, presidente, destinado à promoção do Fado.
O desmentido foi imediato. O então presidente da Câmara de Lisboa, confirmado pelo então Director Geral de Turismo, não teve sequer conhecimento de tal realização.
Como sempre, o desmentido não tem qualquer impacto, e as caixas de comentários da notícia já estão invadidas por um frenético exército fortemente armado de impropérios e ignorância, pronto a destruir tudo à sua passagem.
Ainda há poucos dias, enquanto nas televisões passavam imagens (incluindo a de António Costa) da tomada de posse dos dois novos ministros e secretários de Estado, uma delas, a TVI, com o ângulo da câmara mais fechado, dizia através da repórter no local, e reproduzia em rodapé, que o primeiro-ministo estava ausente da cerimónia.
Sabemos que é assim, que as fake news são isto mesmo. Temos é dificuldade em perceber por que tem de ser assim!
Tem mesmo que ser assim! É o resultado do elevado nível de desempenho a que os governos anteriores nos habituaram.
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