sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sensação de ... pântano*

Resultado de imagem para o regime e raríssimas


 


O tema é, evidentemente, incontornável. Não sei se já tudo foi dito, mas sei que há sempre mais qualquer coisa a dizer sobre os escândalos ligados à Raríssima, que a jornalista Ana Leal, da TVI, revelou ao país no passado fim-de-semana.  


Entretanto vimos como numa deprimente entrevista à mesma jornalista, um Secretário de Estado revelou toda a sua miséria moral. E ficamos a conhecer os nomes ligados aos diferentes órgãos, consultivos ou directivos, daquela IPSS. Por exemplo, o Conselho Consultivo de Reflexão Estratégica, que numa instituição sem fins lucrativos não deixa de ser estranho, é presidido por Leonor Beleza e integra o consultor de comunicação António Cunha Vaz, Fernando Ulrich (presidente não executivo do BPI), Isabel Mota (antiga deputada do PSD, ex-secretária de Estado e actual presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian), Graça Carvalho (ex-Ministra da Ciência e do Ensino Superior nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes), Maria de Belém (ex-ministra da Saúde em governos socialistas e ex-candidata presidencial), e Roberto Carneiro (ex-ministro dos governos de Cavaco Silva), entre outros. Pela assembleia-geral passaram o ministro Vieira da Silva, obviamente envolvido até às orelhas, e a antiga deputada do CDS, Teresa Caeiro.


Maria Cavaco Silva, antes de ter sido feita madrinha dos portugueses por Marcelo - também ele por lá tido e achado - foi a madrinha da Raríssimas nos anos em que o marido ocupou a Presidência da República.


Na Raríssimas não estava apenas todo um regime. Todo o arco da governação, como se diz. Estava o regime e todos os seus vícios.


Por isso, o Instituto da Segurança Social nunca soube de nada. Por isso o Ministro Vieira da Silva não soube de nada. Por isso o Presidente da República também não soube de nada. De concreto e de objectivo, acrescentou. Por isso ninguém recebeu carta nenhuma. Por isso desapareceram as cartas registadas e com AR enviadas à Segurança Social...


E por isso somos invadidos por uma imensa angústia de más sensações. Pela sensação que não é raro o caso da Rarríssimas. Que não é excepção, mas regra. Pela sensação que o país é na verdade governado a partir do submundo. E pela sensação que, se mais trabalho de investigação jornalística deste nível fosse feito, o país desapareceria engolido pelo pântano em que se transformou.


E no fim, com todas estas sensações à flor da pele, vem o primeiro-ministro António Costa pousar leve, levemente, a cereja no topo do bolo, afirmando em Bruxelas que “o ano de 2017 foi particularmente saboroso para Portugal”!


Provocação não é certamente. E a insensibilidade não bate assim…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

11 comentários:

  1. "Uma imigrante com VIH esperou oito meses até o Hospital Garcia de Orta, em Almada, recusar segui-la e nenhuma das seis unidades de saúde por onde passou a encaminharam para um centro de apoio, segundo denúncia analisada pelo regulador."
    A geringonça no seu melhor.
    Onde anda essa vaca da Catarina do Bloco?

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    1. Concordo. Fora com toda esta canalha. Porque antes é que vivianos na perfeição...

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  2. "Tiraram 12 mil euros da conta?!?! Da minha nem 20 euros encontravam, aqui uma presidente de uma IPSS limpou milhares com a família e ainda quer indemnização por ter sido descoberta....."
    Esta da UBER nunca esteve tão a propósito.

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  3. É importante continuar a descobrir a careca a estes impostores. Parabéns

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  4. O mundo é dos espertos. Condeno o comportamento da senhora Brito e Costa, mas de certa forma até acho a mulher inteligente, bem mais inteligente do que eu que ainda não consegui um esquema para ter um salário de 3k. tenho que pensar em fundar um IPPS ou uma seita religiosa ou tornar-me um guru das dietas ou um vidente ou um guru da saúde. A mulher tem mérito e o resto são um bando de invejosos que se pudessem tinham feito o mesmo. Olhem, até o Rio sacou 20k por 2 reuniões na ordem dos gajos dos números.

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  5. Quoque tu, Eduardo Louro?
    Uma "investigação" promovida por um ex-funcionário da IPSS vem mostrar gastos em gambas e roupa pela presidente e alinha na turba generalizadora e indignada das redes sociais?
    Mas queria que Viera da Silva e restantes personalidades da vida política portuguesa soubessem dos gastos, factura a factura?
    Por acaso sabe como se aprovam contas? E como elas são organizadas por rubricas?
    Endoidecemos?

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    1. Alea jacta est, meu caro Makiavel. A caça às bruxas domina o tom da comunicação social, seja em rede seja em cabeçalho, e acaba por contaminar até os que esperávamos menos expostos ao contágio. Foi neste assunto, podia ser noutro.

      Mas que a Raríssimas é uma coutada, não duvido! Nas várias IPSS cá da zona provavelmente o nome mais sonante é o meu - mas só porque tenho dois nomes próprios e quatro apelidos pois estrela só para a família; nem o presidente do burgo consta de uma mesinha de qualquer assembleia, e olhe que algumas freguesias com menos de 4000eleitores são tão carenciadas de Estado que têm 2IPSS e um corpo de Bombeiros - mas há tão pouca gente disposta a trabalhar de borla que acaba por haver pouca alternância por falta de alternativa (e talvez por causa disso veio o 172A de 2014 dizer que podíamos ser remunerados! mas ainda há quem corra por outros amores que não o próprio bolso).
      Portanto, sim, cheira-me a vingança de comadres. Por despeito, talvez...

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    2. Acredito que tenha lido o texto. E não acredito que não o percebido. Não acredito mesmo!.

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    3. Reconheço que poderei ter sido um pouco injusto. Mas a ideia com que fico é que considera que algo de muito errado se passou na Raríssimas, apenas os envolvidos abrangerão todo o centrão e não apenas o actual ministro.
      Para mim, está por provar que tenha havido gestão danosa.
      Para mim, estamos perante um caso típico de despeito de quem já saiu e recorreu à imprensa para fazer este folclore.
      Já nem falo na clássica tentativa da direitralha em envolver o vice-presidente da AG, actual ministro, na aprovação activa das contas. A ignorância tem limites.
      Aguardemos, enquanto o rating da república vai melhorando.

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    4. E evidente que muito, de muito errado, se passou na Raríssimas, independentemente do muito,de muito certo, que lá se tenha passado. Bastou ver a deprimente entrevista do secretário de Estado para perceber muito do que de muito errado lá se passou.
      Mas não é esse o meu ponto. Também não digo, nem é também o meu ponto, que tenha havido gestão danosa. Isso, há-de ser provado. Ou não.
      O meu ponto é a promiscuidade e a miséria moral em que o regime caiu. Pode discordar de mim, não tem mal nenhum. Mas tem que ser sobre o que trago à discussão, e não sobre aquilo que lhe possa parecer que eu possa estar a trazer.
      Mas isto é a gente a conversar. Porque tenho sempre grande prazer em vê-lo por cá.

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    5. Não me parece assim tão evidente que algo de muito errado tenha acontecido.
      E não me parece que a presença de nomes sonantes do centrão seja sinónimo de promiscuidade. Mas isto é apenas a minha opinião.
      É sempre um prazer lê-lo.

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