A notícia do dia é que Diogo Piçarra, o promitente sucessor do Salvador Sobral, desistiu do festival da RTP a que se candidatara com uma canção original - como é do regulamento - que a IURD plagiara a uma outra igreja evangélica americana.
Provavelmente é por isso, por se tratar de um orignal em cima de dois plágios, que o escândalo rebentou. Não terá sido por ser uma cópia tão fiel, tão igualzinha que passou despercebida ao júri, que não é obrigado a acompanhar os cultos religiosos, sejam eles quais forem. Mesmo que - acredito - todos os membros do júri saibam que muita da melhor música da América veio daí.
Não é nada de novo. De novo, mesmo, só a desistência do "autor". Se nos lembrarmos, como hoje recordava Rui Cardoso Martins na sua crónica na Antena 1, aqui há uns anos um tal Armando Gama também concorreu - e ganhou, e foi à Eurovisão - transformando uma pequena loucura de 1975 do Paul Simon ("steel crazy, after all these years") numa "linda, linda esta balada que te dou".
Foi há 35 anos (como o tempo passa!). E não havia internet. Essa é a pequena diferença. A grande é que é, apesar de tudo, pode aceitar-se que a um júri destes possam escapar algumas coisas da música de cultos religiosos. Mas não se pode aceitar que lhe possa escapar a música do grande Paul Simon!
Com esta treta toda, toda a gente ficou a saber o que é plágio. Para quem não souber, esclarece-se que é assim do género de grande copianço, aquilo de que qualquer aluno tamanco e marrão não abdica para ter positiva no teste ou no exame escrito.
ResponderEliminarPrefiro que se fale de Pelágio e da batalha de Covadonga. E, já agora, que o plagiassem.
A mim?
EliminarBem, então já não se faz nada de original. É preciso ir buscar bem no fundo as semelhanças entre estas duas referidas, mas a do Diogo Piçarra, até o tema é quase o mesmo, toda a musica é semelhante.
ResponderEliminarEu sou uma pessoas que acha em quase todas as musicas dos Deolinda semelhanças com as do Carlos Paião (adoro os dois, até isso...)
É certamente muito ténue a fronteira entre a cópia fraudulenta, o plágio, e a cópia inconsciente. Talvez tão imperceptível como a linha que separa uma campanha que nasce da inveja de outra que nasça da livre e bem intencionada defesa dos mais sagrados valores.
EliminarAqui, e é esse o meu ponto, o que está em causa é que um júri composto por gente com responsabilidades no meio e com a obrigação de defender a música, a seriedade do concurso e os concorrentes, deixe passar aquilo que, depois, se vê que não deveria ter deixado passar, deixando arrastar inocentes para a lama.