quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Uma questão de vida e de morte*

Resultado de imagem para eutanásia em portugal


 


É mais um dos ditos temas fracturantes, e está na ordem do dia. Nos próximos dias começam a chegar à Assembleia da República propostas e projectos para legislar sobre a eutanásia. Sim. É disso que estamos a falar, mesmo que com muitos nomes diferentes.


Há muito que o assunto vem e vai, sempre com grande turbulência. Mas nunca sem passar disso, depois de vir e de agitar as hostes, volta para o esquecimento e tudo fica na mesma.


Agora parece que não. Parece que finalmente a classe política entende que o assunto está suficientemente discutido na sociedade. Que o assunto está socialmente maduro!


Provavelmente estará, mesmo que este seja um terreno minado pelos mais radicais fundamentalismos.


Não me parece que haja assunto mais íntimo que dispor da própria vida. A intimidade é o núcleo central do “eu”, e o mais recôndito espaço de dignidade de cada um.


Em qualquer momento da sua vida, qualquer um pode decidir não querer viver mais. Mas nem em todos os momentos da sua vida tem capacidade para executar as suas decisões. Quando está desligado de tudo o que o faz sentir-se vivo, quando a vida se limita a uma prisão construída pela medicina no seu próprio corpo, ninguém consegue, por si, executar a sua decisão. Precisa de uma ajuda que, como sempre que se precisa de ajuda, não gosta que lhe seja negada.


O Estado - nós todos - temos que entender esta dimensão da vida que é escolher morrer. Que não tem nada a ver com matar!


É aqui, e só aqui, que o Estado tem que intervir. É aqui, e só aqui, que a lei faz sentido. Cabe à lei, nesta matéria, apenas assegurar que é severamente punido matar quem não quer morrer. Que, mesmo que pareça, não é nada pouco!   


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

1 comentário:

  1. Neste momento, um indivíduo que se mate ou, mais pomposo, que ponha termo à vida comete um crime. O que pretendem uns quantos, agora, é que isso deixe de ser crime. Dessa forma, um gajo pode matar-se quando lhe apetecer. Não sei se a coisa é boa ou má. Acho que um deputado qualquer do bloco, até podia ser a Catarina, uma das Mortáguas, ou tirarem à sorte, se deveria oferecer para uma demonstração: matar-se. E nós, assistindo ao espectáculo, logo acharíamos se a coisa era agradável ou não, a fim de que cada um possa firmar a sua posição sobre o assunto.

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