
Há muito que muita gente desconfia das novas tecnologias e em particular das redes sociais. Uns por cepticismo militante, desconfiam de tudo e desconfiam mais de tudo o que é novidade. Não é a esses que me refiro, até porque os coloco no mesmo saco dos outros, no outro extremo, que nunca desconfiam de coisa nenhuma e se entregam acriticamente, de alma e coração, a tudo o que de novo lhes apareça pela frente.
Outros porque vêm outros utilizá-las como janelas escancaradas para a sua vida, mesmo que para lá espreitem como espreitariam por qualquer buraco de fechadura. E outros porque, reconhecendo-lhe um potencial inesgotável, desconfiam da utilidade que a perversidade, nas suas mais diversas formas, lhe possa dar.
Notícias dadas esta semana por dois jornais de referência mundial, o New York Times e o London Observer, a partir de investigações que levaram a cabo, fizeram disparar todos os alarmes destes últimos.
Não deixaram apenas o Facebook em alvoroço. Em alvoroço e sem umas larguíssimas dezenas de milhares de milhões de dólares. Deixaram-nos com medo. Com muito medo. E no entanto apenas confirmavam aquilo que há muito corria: que o Facebook tinha sido usado para eleger Donald Trump, no ano passado, na América. A novidade, nestas notícias, é que identificou quem e como – uma empresa inglesa, a Cambridge Analytica, já a espalhar o negócio pelo mundo fora, pronta a intervir na manipulação de tudo o que seja eleições por todos os continentes – e através da apropriação dos dados de 50 milhões de americanos, utilizadores da rede, com o envolvimento de gente da ciência e da Universidade.
Sabe-se que o mesmo já tinha acontecido no Brexit. Que os catastróficos resultados do referendo à continuidade britânica na União Europeia tinham sido manipulados a partir das redes sociais. Que o mesmo aconteceu mais recentemente nas eleições no Quénia, ou acabou de acontecer em Itália. Disse-nos Matteo Salvini, o líder da extrema-direita italiana, quando, conhecidos os resultados, se apressou a agradecer: “Graças a Deus internet, graças a Deus redes sociais, graças a Deus Facebook.”
Olhamos para este fabuloso mundo da conectividade digital e vemos Trump, brexit… Rússia, Putin, cibercrime e ciberespionagem … Fake news… E temos medo. Muito medo…
Porque jornalismo sério, como este do New York Times e do London Observer, capaz de denunciar estes crimes contra a humanidade, a liberdade e a democracia, não passa já de um simples e raro resquício do passado…
* A minha crónica de hoje na Cister FM
Caro Eduardo Louro, concordo com o seu texto, apesar de na realidade não acrescentar muito ao assunto. No entanto, deixo a minha humilde opinião - julgo que colocar o brexit no mesmo saco de trump, Rússia, putin, cibercrime, ciberespionagem e fake news é um pouco absurdo. Felizmente há países com soberania para tomar as suas decisões internas sem estarem submetidas ao escritínio global. O brexit, quer se concorde ou não, foi um acto de saudável democracia, e que sobretudo penaliza as políticas profundamente erradas que a UE tem vindo a adoptar ao longo dos últimos anos. Um abraço
ResponderEliminarA campanha do Brexit assentou numa mentira relacionada com o envelope financeiro que o Reino Unido deixaria de pagar à UE e que serviria para pagar o SNS britânico. Os próprios defensores já vieram assumir essa mentira.
EliminarO texto fala do uso preverso das redes sociais. E é clara e inquívoca, na minha opinião, essa perversidade em todos esses tópicos/acontecimentos.
EliminarE daí?
EliminarPeço desculpa: perverso, não preverso, como saiu.
Eliminar(Estamos com problemas cognitivos?)
EliminarE daí que, em resposta ao comentário de Pedro S., eu tenha contraposto o facto de a vitória do Brexit ter assentado em grande parte em mentiras difundidas pelas redes sociais.
Eu pergunto o mesmo. E daí, Maquiavel? o que é que tem a ver com o meu comentário?
Eliminar"O brexit, quer se concorde ou não, foi um acto de saudável democracia"
EliminarNão foi.
Baseou-se em mentiras descaradas, posteriormente assumidas pelos seus próprios difusores nas redes sociais.
De saudável tem pouco.
Não estamos felizmente com problemas cognitivos, Makiavel. O problema é que eu recebi o seu comentário no meu e-mail, e respondi-lhe a partir daí. Por ter sido através do mail e não do blogue, não vi que estava a responder ao Pedro S e admiti, erradamente, que estava a comentar o texto. E esse comentário ao texto, eu não percebia.
EliminarPeço desculpa pelo erro.
Obviamente que não tem problemas cognitivos. E não precisa de pedir desculpa.
EliminarPortanto brexit, Trump, Rússia, Putin....tudo no mesmo saco e tudo chavões negativos....
ResponderEliminarUrge arranjar um cérebro, pôr o mesmo a funcionar e talvez abrir os olhos e aprender alguma coisa.
Essa parcialidade, propaganda, prepotência arrogante, dos que se consideram mais inteligentes e informados resulta precisamente nesses mesmos Trump, brexit, Putin, etc.
Compr
Não percebi, Nuno.
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