quinta-feira, 19 de abril de 2018

Diminuir a democracia*

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A história é apenas mais uma, e é conhecida - os deputados com residência nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, que a pretexto da insularidade recebem todos os meses no seu salário 500 euros destinados a pagar-lhes a viagem semanal de avião, apresentam, depois, o respectivo bilhete para receberem, também, o subsídio que o Estado paga a todos os cidadãos insulares.


Ou seja, como foi primeira página no semanário que no sábado passado deu a notícia, os deputados insulares vão cobrar do Estado aquilo que não pagaram. 


Nada que deixe ninguém surpreendido, tal é a habituação que já temos a estas coisas. Foram as viagens falsas, aqui há uns anos, são as residências do avô ou de um tio distante que dão jeito para mais um subsídio, são as deslocações aos círculos que os elegeram, mas onde nunca põem os pés se não em campanha…


Tudo isto porque ganham mal. Não é por não terem vergonha. Se toda a gente que ganha mal em Portugal se portasse dessa maneira, queria ver onde é que parávamos…


Como se essa justificação não fosse suficientemente abjecta, arranjaram-lhe ainda um complemento, ou não estivéssemos em pleno território de complementos. E, então, falar destas coisas com que os senhores deputados se complementam, é alimentar o populismo, e matar a democracia.


Não são os deputados, e os políticos em geral que, usando e abusando de estratagemas para tratar da sua vidinha, e da dos seus, à margem dos mais elementares princípios da ética, da vergonha e até em muitos casos da lei, ludibriando a eito nos seus graus académicos, atropelam e destroem a democracia?


Pelos vistos, não. Pelos vistos, como se viu pelas palavras do Presidente da Assembleia da República, àqueles deputados nem ilegalidade nem falta de ética, não há nada a apontar. Apontar-lhes o dedo é que é diminuir a democracia!


 Depois, admirem-se…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

2 comentários:

  1. Para além de tudo de mal que bem elencou no post, existem ainda "pequenos pormenores" que inquinam ainda mais esta já triste estória.
    O facto de, quer Ferro Rodrigues, como Presidente da Assembleia da República, quer Carlos César, como presidente do PS, terem-se pronunciado sobre este assunto nos moldes em que o fizeram, com uma tomada de posição inequívoca, quanto à não existência de qualquer impedimento de ordem legal ou ética, vai obviamente condicionar uma futura decisão da Subcomissão de Ética, já de si "amarrada" por questões de solidariedade política.
    Ia sendo tempo de começar a pensar num novo modelo de constituição, quer da Subcomissão de Ética, quer da Comissão dos Assuntos Constitucionais (da qual a primeira depende)

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    1. Bem observado. E esse condicionamento sim, diminui, e muito, a democracia.

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