sexta-feira, 6 de abril de 2018

Indicador de democracia

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A notícia dá-a o Jornal de Notícias, e conta que o Laboratório da Universidade de Évora, chamado a efectuar um estudo para analisar a água depois de um derrame de fuelóleo no Porto de Sines, em Outubro de 2016, concluiu que não estava em causa a sua boa qualidade e que, por isso, não eram exigíveis quaisquer responsabilidades quer à Administração do Porto de Sines quer à empresa responsável pelo derrame.


Alguém - a notícia não esclarece quem - desconfiou dessa conclusão, e outro estudo posterior concluiu exactamente o contrário, e a empresa responsável pelo derrame foi acusada de crime ambiental. 


Poderia tratar-se apenas de dois estudos diferentes chegarem a conclusões diferentes. Acontece... Mas não é isso, são dois estudos sobre a mesma coisa que chegam a conclusões opostas. Já não é assim tão comum... E a coisa muda de figura quando se passa a saber que o Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR) da Universidade de Évora é financiado pela Administração do Porto de Sines...


É por estas e por outras que as instituições se desacreditam. Notícias destas podem não ser notícia todos os dias, mas já é como se fossem. E quando se perde a confiança nas instituições perdem-se todas as referências da democracia!


A qualidade da democracia mede-se, como se mede a qualidade do ar. Ou da água. E não há melhor indicador para a medir que a confiança dos cidadãos nas instituições!


 


 

2 comentários:

  1. Hoje em dia, infelizmente, a confiança dos cidadãos nas instituições está bastante fragilizada. Em parte por causa das próprias instituições, por outro lado, devido aos próprios cidadãos.
    A ideia do imediatismo e das respostas instantâneas que se vende nos vários canais de comunição e/ou entertenimento não existe e a cultura institucional da larga maioria da polulação também não.

    Quanto ao caso em concreto, é preocupante não só pela questão central, mas pelas desmultiplicações possíveis inerentes a esta.
    Se pensarmos que as funções do Estado deveriam, em tese, incidir sobre 3 ou 4 vertentes basilares (Educação, Saúde, Justiça e Segurança) compreende-se, principalmente se atentarmos à diminuição, por exemplo, do investimento no Ensino Superior, que as universidades se vêm quase que obrigadas a procurar meios de financiamento alternativos. E isto é um facto que é meio caminho andado para a falta de isenção que estas ou os estudos e iniciativas nelas efetuados, devem apresentar.
    Mal comparado, mas ainda assim adequado, é como solicitar um parecer jurídico a um professor catedrático ou escritório de advogados que irá, obviamente, no sentido de quem o paga.
    Uma democracia saudável, conforme o post afirma e bem, não pode permitir tal.

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