Comemoraram-se anteontem os 44 anos do 25 de Abril. Fez-se festa por todo o país, e discursos no Parlamento, centro das comemorações oficiais.
Discursos cheios de retórica, uns mais cinzentos que outros, com mais ou menos referências à “manhã que Sofia esperava” daquele “dia inicial inteiro e limpo”, mas que geralmente dizem pouco. E a que pouca gente liga alguma coisa, à excepção daqueles que da sua decifragem fazem modo de vida.
Desta vez houve surpresas. Eu, pelo menos, fui surpreendido com a introdução do tema central da nossa democracia no discurso oficial das comemorações do 25 de Abril. Comemorar a revolução dos cravos é, tem de ser antes de tudo, avaliar os riscos da nossa democracia, que é exactamente o que de mais importante acabou por ficar.
A qualidade da nossa democracia tem-se vindo a degradar a um ritmo alucinante. A corrupção foi-se instalando, corroendo-a até à exaustão, minando o sistema político e afastando irreversivelmente eleitos e eleitores, destruindo os mecanismos de representação que constituem os alicerces, os pilares e as vigas do edifício democrático. Depois de 10 anos de escândalos de corrupção na banca e em agentes políticos de segunda linha, atravessamos agora o período mais negro da História de Portugal, com sucessivas revelações de corrupção ao mais alto nível das instituições, do Estado e da governação.
Estranhamente – ou talvez não – a sociedade civil não reage, e parece aceitar como normalidade o que a democracia não pode tolerar. A classe política parecia viver bem com isto, com esta paz podre de que somos nós os primeiros responsáveis. Até que, no dia de comemorar a democracia, alguns se lembrassem de nos lembrar que está em perigo. E que já não é possível salvá-la mantendo intocável o actual o sistema político.
Começou por dizê-lo uma jovem deputada – Margarida Balseiro Lopes, acabada de chegar à liderança da JSD – num discurso notável. Com todas as letras. Tocou-lhe ao de leve o presidente da Assembleia da República, e disse-o com decisiva veemência o Presidente da República, entre meias palavras e palavras inteiras.
Agora ninguém pode dizer que não sabia. Agora já só podem dizer que não querem saber. Como nós não temos querido saber!
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
Quando há pessoas altamente qualificadas neste país a ganhar 600€ para que os "empresários" possam meter, cada vez mais, dinheiro ao bolso, a nossa democracia está em risco.
ResponderEliminarQuando há dinheiro para meter em IPSS (algumas bem duvidosas) e não se protege o SNS, a nossa democracia está em risco.
Quando se desvaloriza o papel dos nossos professores tornando-os nos mais mal pagos da Europa, a nossa democracia está em risco.
Quando se permite a existência de uma lei que permite pôr um inquilino, que paga a renda atempadamente, na rua para alugar essa mesma casa a uns "pés-descalços" que não falam a nossa língua nem querem pagar um hotel, por mais modesto que seja, a nossa democracia está em risco.
Quando deixamos 800(!!!) médicos recém-formados sem acesso à especialidade médica, a nossa democracia está em risco.
And on, and on, and on.........
And so on...and so on... É verdade. E nem adianta nada dizer que, no entanto, ainda podia ser pior!
EliminarManuela
ResponderEliminarE agora qualquer dos três citados, que descobriu sozinho a coisa de que ainda não tínhamos dado conta, pode sentar-se descansado, suspirar de satisfação e marimbar-se para o futuro, porque acha que já fez a sua obrigação.
ResponderEliminarE um dia destes, se for popular, uma posição contrária a esta, lá estará pelo menos um dos tres, a tentar colher os louros.
EliminarE no fim cavalgaram juntos em direcção ao pôr do sol...
ResponderEliminarA menina Balseiro, o Presidente e os demais convivas no parlamento que respondam ao seguinte:
Há 44 anos o povo "conquistou" mesmo a democracia?
Ou entregou um país de mão beijada a uma corja de gente que só se quer servir do país e não servir o país?
OS GAFANHOTOS COMERAM OS CRAVOS.
EliminarBom fim de Semana
"... a sociedade civil não reage, e parece aceitar com normalidade o que a democracia não pode tolerar." Foi esta "sociedade civil" que elegeu o cavaco 2 mandatos 1º ministro, altura em que a palavra "CORRUPÇÃO" passou a fazer parte do vocabulário dos portugueses e voltou a elegê-lo mais 2 vezes como Presidente da Republica para que condecorasse todos os que aparecem ligados aos "escândalos de corrupção na banca" os "agentes políticos de segunda linha" e outros corruptos "das instituições, do Estado e da governação".
ResponderEliminarHá que ver o Sol mais azul
Eliminarque a corrupção sempre existiu
e não será apanágio do Professor Doutor
Aníbal Cavaco Silva que nem fugiu, Hé hé hé hé
Mau hálito que amandas pá,
Estou em parte de acordo,mas pergunto o passado que resolve hoje?? olhemos para o presente sem receios e não deixando que façam o mesmo no futuro. O 25 de Abril foi para o povo , ou só para alguns (se aproveitarem). Temos que bater o pé a esta politica de interesses e corrupção.
EliminarÉ a mesma sociedade civil, somos os mesmos, a fazer a mesma coisa. Sempre a mesma coisa, há séculos. Como vemos nos nossos clássicos.
EliminarPortuguês - povo que não pede factura para poder fugir ao IVA, povo que na maioria dos casos só tem emprego graças a uma cunha, povo que gosta de criticar mas tem pouca ou nenhuma participação na sociedade civil, povo que diz que "os políticos são todos iguais" mas que depois não vota em ninguém ou vai votar nos mesmos de sempre, povo que declara o salário mínimo (mesmo quando recebe muito mais) para assim poder fugir ao IRS, povo que tem um off-shore na Madeira para fugir ao IRC e com o qual não quer acabar, etc.
ResponderEliminarÉ com orgulho que posso dizer que, apesar de ter nascido em Portugal, não sou "português"... quando emigrei para um país nórdico (Suécia) finalmente senti-me em casa e no meio de pessoas com as quais me identifico.
A este propósito, a minha piada preferida foi dita por um actor/humorista português (o José Gomes d'A Conversa da Treta) que disse ter a solução para Portugal ser um grande país: basta tirar todos os 10 milhões que cá estão e substitui-los por outros.
PS: Ainda agora a "boy fêmea" chegou e já estou farto de ouvir falar nela. É inadmissível como se está a levar ao colo a "Passos Coelho fêmea" da JSD. Uma vergonha, o continuar da anti-meritocracia, um hino ao carreirismo/cunha da política nacional. Houve uma semana em que ela sozinha teve mais tempo de antena que os partidos de esquerda todos juntos nos canais da SIC. Já vai na N-ésima capa de jornal com o "JornalEconómico" de hoje. É irónico (ou se calhar não) ter sido elogiada num post sobre este assunto.
Para deixar de ser o "português" que eu descrevi, é preciso ter olho para estas coisas logo desde início. A fácil ilusão do "português" típico é uma das causas dos nossos males, e a razão pela qual a propaganda tem funcionado tão bem para disfarçar a podridão do sistema PS+PSD+CDS+Banca+CIP&companhia+Escritórios_de-Advogados+Comunicação-Social...
Mais respeito pá
Eliminarque já há remédio prá espertalhice aguda
e até galopante... Estrequinina.
Eu, fiquei de boca aberta, quando vi os infiltrados, na esquerda, a aplaudir a vedeta da jsd, que apenas leu em bom estilo, o que os capitalistas madaram escrever!
EliminarO nosso presente na Covilhã
Eliminarfoi um Mural tipo Leninista...
Ó Jorge - e reportando-me apenas ao seu PS (de post scriptum, não do outro) - nós podemos sempre despir-nos do preconceito e apreciar as coisas como elas são. Não custa assim tanto. Não sei se o ouviu, porque muitas vezes achamos que não precisamos de saber o que comentamos para comentar, mas o discurso da que chamou "boy fêmea" é notável. E não é por ser vazio, é porque toca no que é fundamental inverter.
EliminarÊláááááááá´´aáááááá´
ResponderEliminaro que poderá ser não será
fica a dúvida
que sendo assim por cá
OS GAFANHOTOS COMERAM OS CRAVOS
e não deixaram nada
só ilusão de Fada e impostos sobrepostos.
Bom fim de Semana
Como não gosto de anonimatos
ResponderEliminaraqui está o que deixo em nome da REALIDADE.
...
Êláááááááá´´aáááááá´
o que poderá ser não será
fica a dúvida
que sendo assim por cá
OS GAFANHOTOS COMERAM OS CRAVOS
e não deixaram nada
só ilusão de Fada e impostos sobrepostos.
Bom fim de Semana.
....
O nosso presente na Covilhã
foi um Mural tipo Leninista...
...
Mais respeito pá
que já há remédio prá espertalhice aguda
e até galopante... Estrequinina.
...
Há que ver o Sol mais azul
que a corrupção sempre existiu
e não será apanágio do Professor Doutor
Aníbal Cavaco Silva que nem fugiu, Hé hé hé hé
Mau hálito que amandas pá,
...
OS GAFANHOTOS COMERAM OS CRAVOS.
Bom fim de Semana ..
É engano meu ou o Presidente da República fez uma violenta crítica a si próprio? Quem é o político mais populista em Portugal, que não perde uma ocasião para os beijinhos da praxe, as selfies da moda, a permanente necessidade e urgência de se antecipar ao Governo para estar junto de qualquer incidente/acidente e provar que está ao lado do povo? Quem é? O discurso assenta como uma luva nele próprio. Mas a moçoila também meteu a pata na poça, quando se esqueceu de apontar ao gang Passos Coelho como grandes defensores do populismo, mesmo que o líder do gang tenha afirmado que se estava nas tintas para as eleições, mas que mais não foi que uma frase populista. O risco vem daí mesmo, de um gang que acusa os outros de corrupção e tem telhados de vidro, fomentando uma corrente defensora que Salazar era muito honesto e que nesse tempo não existia corrupção, como se todos não se lembrassem do escândalo do BNU, do Ballet Rose, da corrupção transversal à sociedade que então era lei. De resto é sempre bom lembrar que a corrupção é pessoal, não é de grupo, muito menos é de génese política, como convém não confundir tráfico de influências (a esmagador maioria dos casos) com corrupção. Sendo vizinhas, vai uma enorme distância entre elas.
ResponderEliminarVai havendo gente lúcida neste país. Já ganhei o dia.
EliminarEstaria de acordo consigo em muito do que diz se não me parecesse que não temos o mesmo entendimento de populismo. Ou, pelo menos, da sua forma de expressão.
EliminarE também não estou muito de acordo consigo, Orlando Teixeira, quando acha que, para falar - bem - de uma coisa, é obrigatório falar de todas as outras. É outra forma de preconceito. Você desvaloriza o que a "moçoila" - como lhe chama - disse, e bem, porque não falou do ciclo de Passos. Teria razão - a sua, evidentemente, que por acaso também seria a minha - se a "moçoila" tivesse acrescentado ao que disse que "com o Passos é que foi bom". Mas não foi nada disso que se passou. Simplesmente não falou do que, para o caso, não era relevante falar. Acho eu, evidentemente. Obrigado pelo seu comentário!