Os mais mal intencionados verão uma relação qualquer entre o artigo de Fernanda Câncio, hoje no DN, e a posição que o PS revelou na semana passada, relativamente a Sócrates. Sabendo-se como é mal amada - não, não estou a fazer ironia - por grande parte do pessoal, em especial do mais conservador, não vai faltar quem lhe caia em cima a acusá-la de tudo e mais alguma coisa.
E no entanto este artigo de opinião da jornalista que foi namorada de Sócrates, que com ele privou na intimidade durante alguns anos e que assistiu por dentro ao luxo da vida do antigo primeiro-ministro, é verdadeiramente notável. Diz que foi enganada na intimidade, como todos o fomos publicamente. Que se sente abusada, como todos nós devemos sentir-nos. E que só ela, e só nós, podemos estar envergonhados, porque, ele, não tem nem nunca terá vergonha.
E, the last not the least, dá uma verdadeira lição ao PS e a António Costa que, en passant, acusa - e bem - de terem reagido tarde e mal, deixando claro que não é preciso qualquer julgamento de natureza criminal para condenar politicamente José Sócrates. Bastam os mais elementares critérios de avaliação de ética, de moral e de traição, fundamentais em política. E que isso deixa nua a hipocrisia do "à Justiça o que é da Justiça e à política o que é da política"!
Concordei com o artigo até ler a autoria.
ResponderEliminarAí chegada, lembrei-me do fado da desgraçadinha.
Foi enganada na intimidade; e precisou destas "revelações" para o descobrir? Aos anos que as suspeitas se adensam e as notícias se multiplicam em torno das despesas e das fontes mais do que dos mecanismos de corrupção, e quem com ele privou e até publicamente defendeu, precisou de ver uma reportagem com gravaçõe do MP para se aperceber de que havia sido "abusada"? Ou precisou de ver os outros a renegarem a sua idolatria e a sua esperança?
Desculpe, Eduardo, mas essa é uma muito branda leitura
Mal fica à F.C. vir agora dizer isto. Não foi só o PS que se atrasou nas ilações.
Eu não estou a avaliar nem a oportunidade, o grau de sinceridade, nem o arrependimento da Senhora. Procurei avaliar o artigo, e esse achei-o interessante, em particular naquilo que diz respeito à resposta do PS que, não sei se reparou - e digo assim porque é uma visita habitual cá da casa -, mas vai ao encontro do que aqui escrevi em dois textos anteriores.
EliminarEntão peço desculpa, porque me pareceu que estaria a louvar a atitude de F. C., jornalista que aprecio em alguns trabalhos mas que como pessoa nada me diz, para o bem ou para o mal.
EliminarExcepto agora por este choradinho de viúva maltratada - vergonhoso.
Lição ao PS seria, se assinada por outra ou por ela há muitos meses. Agora, vale tanto como o mea culpa do Galamba.
Porque o texto está mesmo bom. Só que à mulher de César, o de Roma, não basta escrever bem.
Sobre os seus, sim, já havia lido - como já tive oportunidade de dizer noutra casa, não é por se estar a cantar e outros se juntarem que se passa a fazer parte do Coro. Mas isso parece ser a excepção, nos dias que correm.
(E desculpe a ausência de itálicos, mas isto no telemóvel não sai como se quer :/)
Claro que não tem desculpas nenhumas a pedir. Nem pela interpretação nem pela falta dos itálicos... Volte sempre!
EliminarObrigada.
EliminarNão devolvo o convite porque a minha casa está em permanente reconstrução, mas é sempre bem-ouvido e mais bem-lido :)
E, reparei agora, uma festarola para celebrar o texto de F.C.?? :)
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