O assunto vinha sendo falado entre dentes, mas agora é já à boca cheia, a ponto de se dizer que até já chegou ao Ministério Público. Refiro-me a esquemas de aproveitamento fraudulento dos fundos para a reconstrução de casas nas zonas atingidas pelos trágicos incêndios de Pedrógão Grande, há pouco mais de um ano.
Já se falou de desvios de fundos disponibilizados pela gigantesca onda de solidariedade nacional, de valores que nunca apareceram, de outros que ficaram retidos nas malhas da burocracia e até dos que acabam consumidos nos meandros da sua própria gestão, quase sempre autofágica.
Agora sabe-se que, depois de 17 de Junho do ano passado, depois dos incêndios, houve gente que alterou a morada fiscal para garantir o acesso aos fundos de reconstrução. Que há casas que nem casas eram, e casas ardidas que nem sequer arderam. Que vale tudo para enganar todos!
Dir-se-ia que é notável como somos capazes de ser tão generosos e, ao mesmo tempo, tão gananciosos. Como somos capazes do melhor e do pior, de tudo e do seu contrário. Como somos capazes de dar e de roubar. Como somos capazes de responder como ninguém à desgraça alheia, mas também, como ninguém, de nos aproveitarmos dela. Dir-se-ia que somos um povo bipolar, do oito e do oitenta, como tantas vezes de nós próprios dizemos.
Mas não. Não é nada disso. Porque não são os mesmos que dão que, depois, vão roubar. Não são os mesmos que correm a acudir que, depois, correm a sacar. Não. Uns dão, outros roubam. Uns acodem na desgraça, outros sacam nos despojos.
Uns e outros são portugueses. É por isso que nem os portugueses são de uma generosidade ímpar, nem os portugueses são uma cambada de aldrabões sempre à coca de enganar tudo e todos. Há uns e outros…
Só que … “a ocasião faz o ladrão”. E em Portugal o que não falta é ocasião!
*A minha crónica de hoje na Cister FM
Não sei mas isto é assim tão simples. Porque o fumo do vizinho que deixou as paredes pretas na casa branca que não ardeu não conta? Além disso, não anda por lá ninguém agora e o negocio morreu devido aos incêndios.. Não têm direito a nada? A culpa foi de quem não limpava as matas e florestas incluindo camaras que não fizeram o mínimo pelo ordenamento do território, não foi? Só agora é que houve multas. Mas que vistas curtas!
ResponderEliminarEu vi pela TV, não tenho direito a nada?
Eliminarhá sempre um idiota Anónimo que só gosta de dizer mal.
EliminarDevia receber qualquer coisinha por estar aqui a responder a um anormal
EliminarO que tu queres sei eu...é mama. Olha mama aqui...
EliminarEnquanto houver boa fé e vontade genuína em ajudar, haverá sempre quem genuinamente queira tirar vantagens. Nada de novo, é a historia cá do burgo desde o tempo da criação.
ResponderEliminarO que tem piada aqui é que estão a chamar de idiotas ou corruptos aos avaliadores que resolverão dar o dinheiro aquela gente.... Basta dizer mal e acabou.
ResponderEliminarAs pessoas são sempre responsáveis por si próprias, os outros limitam-se a ajudá-las a assumirem e a viverem as suas circunstâncias.!
ResponderEliminarTriste "fado" o deste povo a quem a desgraça alheia serve para alimentar gente tão desonesta.
ResponderEliminarSerá que já não conseguiremos separar o trigo do joio???? é pena que num País tão pequeno seja cada vez mais pequenino onde os "abutres" abundam. A impunidade levou este povo para o caos, onde os fins não olham a meios???? Gente honesta e trabalhadora que adora o seu País naturalmente que não se revê nestas trapaças, e que não consegue levantar a cabeça para olhar o futuro. Onde estão os responsáveis pelos desígnios deste Povo inconformado que não se revê nestas trapalhadas???? Por onde anda a Justiça?Por onde andam as "Elites" que são chamados para cargos da Nação para a fazer respeitar???? É difícil, encontrar respostas, mas penso que é simples. A Educação e os Princípios são "nichos" muito pequenos neste País, infelizmente!
A sério que alguém anda a defender que as paredes brancas que ficaram pretas tem direito a receber algo? Ou que a culpa era de quem não limpava os terrenos e portanto devia receber?
ResponderEliminarPrimeiro ponto, o Estado não tinha obrigação de dar nada. Os danos devido a terrenos por limpar deviam ser imputados aos donos dos mesmos, indo para tribunal. Se a minha casa arder, não vai ser o Estado a dar-me uma. Uma coisa é o Estado e instituições terem decidido ajudar, outra coisa é acharem que tem obrigação de o fazer. Aquele que teve a casa branca de preto, quanto muito receberia tinta, não uma casa nova.
Anda meio mundo a enganar outro meio. Quem usufruiu deste esquema devia ser bem punido.