terça-feira, 28 de agosto de 2018

Bater com a porta, mas com um murro na mesa!

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Na crista da onda que o levou ao poder, e fazendo dos grandes temas da actualidade bandeira e alavanca, Macron convidou para a pasta do ambiente um conhecido ambientalista - NIcolas Hulot - activista da causa, jornalista e apresentador de televisão. 


Até aqui, tudo normal. É frequente que os políticos se socorram de personalidades mediáticas, e/ou com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, ou mesmo próprios de franjas de contra-poder. Da mesma forma que também não é raro que activistas de certas áreas se deixem seduzir pelo poder, por puro deslumbramento, umas vezes, por convicção nos resultados da sua contribuição, noutras.


Quando isso acontece por deslumbramento, como quase sempre sucede por cá, não há grande volta a dar. Acomodam-se, esquecem rapidamente as causas que lhe deram notoriedade e, mandando os princípios às malvas, não incomodam nem afrontam o poder que integram. Quando isso é suportado na convicção e na crença em mudar o poder, se os resultados falham, resta apenas a frustração e o incontornável bater com a porta. Com mais ou menos estrondo...


Nicolas Hulot escolheu bater com a porta com uma força nunca vista. Em directo, numa entrevista numa televisão, apresentou a sua demissão. Publicamente, dando conta de toda a sua frustração pela sistemática irrelevância a que o governo e o presidente condenaram a sua acção e as suas propostas: “Não quero continuar a mentir a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos a avançar”!


A isto, não estamos habituados. Disto nunca vimos por cá. 


Quando é de questões ambientais que se trata, quando vemos e sentimos tudo o que já está a acontecer, bater com a porta desta maneira é um murro na mesa que tem de se ouvir muito para além das fronteiras francesas.

19 comentários:

  1. Tudo dito. Se em Portugal os ministros se demitissem desta forma, certamente teríamos uma democracia e governos muitíssimo mais competentes.
    Um bem-haja pela publicação.
    Claudia de Almeida.

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    1. O nosso problema é que os ministros já são recrutados para não se demitirem. Quando muito, um ou outro é demitido.

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    2. Confesso que quando li a notícia pensei "quem dera que em Portugal os ministros tivessem a coragem de se demitirem deste modo...". Devo concordar, são nomeados conforme dá jeito a quem governa.

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  2. Este Mr Hulot não dá férias aos princípios...

    Para quando uma plataforma de cidadãos que redefina a CRP no que ao poder executivo respeita, que redefina uma nova Lei dos Partidos e uma nova Lei Eleitoral, e que leve tudo isto à AR forçando referendos a cada um dos diplomas?

    Talvez nesse dia comecemos a ter gente que faça política como Hulot. A sério.

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    1. O problema está na "plataforma dos cidadãos", Sarin. E o problema não é a plataforma. É mesmo os cidadãos!

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    2. Por algum lado a cidadania tem que avançar, Eduardo, ou ficaremos onde nos levem.

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  3. Boa noticia.... Talvez fosse melhor para a nossa democracia haver novos partidos políticos com novas agendas, novas ideias mais orientadas para os assuntos actuais e que preocupam a sociedade.... sem recieos de serem apelidados de quaisquer estigmas antigos.

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  4. Por cá também tivemos exemplos de governantes que tentaram remar contra a maré, com a diferença que foram "rifados". Os mais sonantes de que me recordo, foi um ministro que tentou mexer no enxame da EDP e as respectivas rendas da electricidade e acabou demitido em menos de 1 semana. Anteriormente houve um que apresentou um pacote extenso de medidas anticorrupção na politica, tendo sido despachado de urgência para o parlamento europeu e desde então, nunca mais lhe foi dado tempo de antena.
    São 2 exemplos e de "cores" diferentes para não despertar azias, apenas para mostrar que como em tantos outros problemas que temos nesta amostra de país, a razão para nada mudar, reside em nós mesmos enquanto povo que aceita ser governado por gente corrupta desde sempre.
    Toda a gente se queixa, mas na hora de votar, ganham sempre os mesmos. Até pode mudar a cor da m...., mas as moscas nunca mudam.

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    1. É verdade. É como eu dizia na resposta ao primeiro comentário.

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  5. Em Portugal, a Celtejo MATOU o Rio Tejo, em nome do fabrico de papel higiénico para imprimir páginas do Correio da Manha (sem til).

    Como país avançado que somos, com um Estado de Direito, e Europeístas até à medula na composição do governo, eis que a sentença da Celtejo foi emitida por um juíz: uma simples repreensão.

    Entretanto, um governo deste PS, "progressista" e "europeísta" (coloco ambos entre aspas pois já não têm o significado que costumavam ter, por exemplo é por ser mesmo Europeísta que eu sou contra o Euro e muito crítico desta UE), leva o PM (Primeiro mentecapto, e não Primeiro Ministro) à TV a dizer que os contrato (ruinosos, para não dizer criminosos) de exploração de petróleo em Portugal são para cumprir, mesmo contra a decisão recente dos tribunais, mesmo contra os 42 mil cidadãos que disseram NÃO durante a consulta pública (na qual só 4 disseram que SIM).

    Alterações climáticas, incêndios incontroláveis, poluição excessiva? Nada disso interessa, quando em causa está a negociata e o lucro fácil para distribuir só por quem não tem escrúpulos nem consciência nem decência.

    Sei que o senhor Eduardo Louro é, como eu, apoiante da Geringonça, mas as semelhanças acabam aí. Quando está em causa o ambiente, eu sou Ecologista, e só depois disso é que sou eleitor do BE, enquanto você evita que o texto chegue a território português, porque antes de ser ecologista, você é Rosa da cabeça aos pés...

    Por isso, num texto destes, se limitou a dizer que é um bom exemplo, este do Ministro Franês do Ambiente, e que isso não se vê noutros lados. Em vez da indireta, devia ter tido a coragem de fazer a crítica diretamente: Portugal tem igualmente um governo negligente do ponto de vista ambiental, e tem um NÃO-ministro do ambiente, que dá vergonha de cada vez que abre a boca, seja para defender a Celtejo, a exploração de petróleo, a Uber, ou a central nuclear da Almaraz. Nem o idiota Trump teve tanto descaramento...

    Conclusão, o tal "murro na mesa" também podia servir de exemplo para certos opinadores!

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    1. Grande comentário! Obrigada.

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    2. Ó Carlos, a análise até que nem é má. Quando salta para as conclusões é que é o diabo, espalha-se em toda a linha. E não havia necessidade...

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  6. Os supostos ambientalistas são dos mais facciosos e pró partidos lobbies que temos ....sempre com a ajuda dos media em especial TVd..porque sem propaganda, nada feito.
    Só como exemplo : o barulho que toda essa cambada fez porque se cortaram meia dúzia de árvores em Monsanto para alargar a A5. e portanto evitar o para arranca numa subida íngreme com aumento de emissão de poluição bem grave.

    Agora comparemos com o silêncio ensurdecedor e bem pago na razia de árvores para construir o pólo da Universidade na Ajuda ...ou o tribunal de Monsanto. ...
    Neste aspeto estar no poder ou na ""defesa de princípios"" a diferença é. ZERO
    E mais exemplos menos gritantes se podiam dar......

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    1. Se calhar isto não tem nada a ver com o texto, mas é uma opinião válida.

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    2. No blog neoliberal Delito de Opinião você fez um comentário em que defendia Donald Trump, revelando assim que não pode ser uma pessoa inteligente. Eu respondi a esse comentário mas pelos vistos foi censurado. Mas como neste blog não há censura a gentalha de direita não poderá censurar-me desta vez.
      É inacreditável que você seja tão burro ao ponto de atribuir a Trump os louros pela política económica bem sucedida de Obama, que fez o desemprego cair para metade. 20 milhões de americanos obtiveram pela primeira vez acesso a cuidados de saúde.
      Quais são os méritos de Trump? Andar a atacar a comunicação social por dizer coisas que não lhe agrada? Fabricar guerras comerciais com as democracias europeias e a democracia canadiana?
      E já vi que você gosta muito do Trump mas emigrar para os EUA e ir ter com ele você não faz... Porque será?
      E não, o cidadão médio não votou em Trump. Hillary Clinton teve mais votos. É claro que a escumalha pró-Trump prefere ignorar este importante facto. Sim, porque escumalha é o que você é.

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    3. "Eu respondi a esse comentário mas pelos vistos foi censurado."
      O Delito de Opinião chama-se assim porque considera quaisquer opiniões contrárias à ideologia dos donos do blog "delitos de opinião".

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  7. Por muito que se diga, por muito ou pouco que se comente, simplesmente diria isto: Muitoooooooo obrigado, porque afinal este Senhor desacreditou a raça política decadente e cada vez mais rastejante.

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  8. Pelo que consegui entender da demissão deste ambientalista, a vingarem as suas ideias a agricultura francesa seria reduzido a pouco mais que zero ! Os pesticidas são inimigos com quem temos que conviver se queremos continuar a cultivar alimentos da terra !

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