A cena passa(-se) numa das televisões, em reportagem numa aldeia de Trás-os-Montes. Na rua, à porta do café da aldeia, um BMW cabriolet, branco, de matrícula francesa. Lá dentro, joga-se às cartas, em conversa animada para as câmaras.
A reporter pergunta: "então quando é que chegou"?
A resposta, rápida: "au jour d`hui même"!
Isso é mesmo à Portuguesa! Nós somos um povo de gente vaidosa. Queremos sempre parecer melhor que os outros e falar "estrangeiro" é uma forma de nos afirmarmos. É claro que nós sabemos que eles, lá fora, fazem muitos sacrifícios para poupar e poder passar férias em Portugal à larga.
ResponderEliminarQuando vou de férias para França e sou reconhecida por emigrantes como portuguesa, mas turista, não são cordiais comigo, porque percebem que tenho mais dinheiro que eles e isso incomoda-os.
É assim, o nosso bom povo.
Por outro lado, os Franceses, quando percebem que sou turista e, ainda por cima, falando Francês com fluência, tratam-me muito bem.
A Anónima conseguiu a proeza de revelar tanto preconceito como vaidade ao invocar o estereótipo do "avec" num texto aparentemente destinado a achincalhar os emigrantes.
EliminarAquilo que vê como "à Portuguesa" vejo eu como a mania que muitos portugueses têm de dizer mal do seu conterrâneo, concidadão, vizinho... mas eu não o vejo em "os portugueses" como a Anónima vê em "os emigrantes", e certamente não o escreveria com maiúscula!!!
Concordo que se inclua nessa "gente vaidosa" que "queremos sempre parecer melhor que os outros e falar 'estrangeiro' é uma forma de nos afirmarmos", já que faz questão de se atribuir fluência em francês - a menos que esta não seja uma língua "estrangeira", claro - e que é muito bem recebida pelos franceses por este motivo. Também deduzo que isso de falar outras línguas só seja aviltante para emigrantes que passam anos a falar e a pensar numa segunda língua e de quem se espera que desliguem o piloto automático mal cruzam a raia - piloto automático que a muitos custou anos a ligar. Porque pelo que escreveu depreendo que em Portugal ignora a sua fluência em francês e responde em português a qualquer ça va.
Só não entendi como é que os portugueses emigrados percebem que a Anónima tem mais dinheiro que eles... leva os extractos bancários colados na testa?
Desconfio que o que os incomoda não é a Anónima ser turista...
Grande "regresso", Sarin. Em grande forma!
EliminarObrigada, Eduardo.
EliminarLamento regressar para escrever coisas destas.... enfim, tenho ainda leitura para actualizar, espero que tropeções destes sejam raros ;)
És de Leiria....terra de avecs....agora já te entendi LOL!!
EliminarÀ votre intelligence et à vos bonnes manières, grand Jacques.
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