
As televisões - todas em geral, porque seguem-se umas às outras, em carneirada, atrás das audiências - tiveram a evidente preocupação de lançar a confusão à volta desta acusação do Minsitério Público no processo e-toupeira, potenciando o clima de guerra instalado que, de resto, elas próprias criaram e alimentaram. Para isso começaram por encher os seus espaços de antena com gente que, não percebendo patavina de direito, fossem garantidamente incendiários especializados.
Depois de tudo devidamente incendiado, já hoje, e com o tema ainda filão de audiências, começaram a ouvir especialistas em Direito, na expecativa que confirmassem as teses que já tinham lançado e propagandeado. E, quando gente que sabe do que está a falar, começou a dizer que é inaceitável que o MInistério Público tenha tornado pública a acusação, antes de a comunicar aos interessados; que a constituição como arguída da Benfica SAD, à margem da forma como é legalmente representada, não tem pés nem cabeça; ou que simplesmente não há factos nem nexos de causalidade que permitam sequer falar em punicões desportivas, que não existem em Direito Penal, os entrevistadores em estúdio não querem crer em nada daquilo, e seguem em frente na sua cruzada como se nada tivesse sido dito. Sem a mínima noção do ridículo. Deprimente!
Deprimente é mesmo o termo exacto para descrever o ar enfadado, consternado e até por vezes malcriado, que exibem alguns sonantes entrevistadores que querem à força ser simultaneamente opinadores, quando algum entrevistado faz alguma declaração que não se enquadre no catecismo cuja venda lhe encomendaram.
ResponderEliminarE não estou sequer a falar especificamente nem principalmente do tema futebol, porque esse, sendo uma questão de fé, não me merece qualquer comentário.
ResponderEliminarLamento contrariá-lo, mas pode-se gostar de Futebol sem perder a responsabilidade conferida pelo direito de cidadania. Por outras palavras, há clubite no jogo dentro do campo, e pode-se discutir como adepto e ainda assim sem clubite quando a matéria é de cidadania. Não caia no erro de ler todos os adeptos pelas palavras que alguns muitos vomitam; pelo comentário anterior parece-me mais lúcido que isso :)
EliminarO postal incide num tema que causa revolta ao meu estômago de cidadã, não apenas de telespectadora: com tanta toupeira tão descaradamente a saracotear-se nos corredores da informação e da contra-informação, de empresas com contratos com o Estado e de empresas que albergam e albergarão ministros e secretários passados e presentes, quiçá futuros, com tantos casos abertos tão antes deste... e corre a Justiça atrás de toupeirinhas que nem para casaco de pele de coelho servem - como se as mesmas fossem zibelinas? À Justiça o que é da Justiça - mas são os meus impostos, não é?! :)
Ainda não tinha cá chegado... estou como o carranguejo, a andar de lado e às arrecuas :)
ResponderEliminarUma vénia, meu caro... e, melhor pensando, talvez melhor não - não que me doa a coluna, mas o meu estômago anda sensível perante tais cenários que no postal fotografa. Ou radiografa.